{"id":704,"date":"2024-10-22T06:24:35","date_gmt":"2024-10-22T09:24:35","guid":{"rendered":"https:\/\/encontrobrasileiroebp2024.com.br\/?p=704"},"modified":"2024-11-04T12:13:22","modified_gmt":"2024-11-04T15:13:22","slug":"editorial-coda-07","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/encontrobrasileiroebp2024.com.br\/index.php\/2024\/10\/22\/editorial-coda-07\/","title":{"rendered":"Editorial CODA #07"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: 13px;\"><em>Patricia Badari (EBP\/AMP)<br \/>\n<\/em><em>Diretora Geral da EBP<\/em><\/span><\/p>\n<p>\u201cOs corpos aprisionados pelo discurso &#8230;e seus restos\u201d \u2013 XXV Encontro Brasileiro do Campo Freudiano. Um Encontro que \u00e9 precedido por vinte e quatro outros Encontros e que conta com uma comunidade de trabalho. A EBP, suas inst\u00e2ncias, suas Se\u00e7\u00f5es, seus membros, cada colega que contribui com sua escrita, com sua elabora\u00e7\u00e3o em textos, podcasts, com o envio de trabalhos para a jornada cl\u00ednica, discuss\u00f5es em preparat\u00f3rias e os trabalhos em comiss\u00f5es. Um Encontro que s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel porque h\u00e1 o trabalho daqueles que sabem \u201ccolocar o bloco na rua\u201d, que nos instigam, nos acolhem e preparam, inclusive, toda a infraestrutura para nos receber presencialmente em novembro.<\/p>\n<p>Contamos com uma comunidade de trabalho para que aconte\u00e7a o XXV EBCF, embora saibamos que \u201ctodo conjunto humano comporta em seu fundamento um gozo deslocado, um n\u00e3o saber fundamental sobre o gozo, que corresponderia a uma identifica\u00e7\u00e3o\u201d<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>. \u00c9 uma l\u00f3gica que est\u00e1 no fundamento de todo la\u00e7o social, uma \u201cl\u00f3gica de toda assimila\u00e7\u00e3o \u2018humana\u2019, precisamente na medida em que ela se coloca como assimiladora de uma barb\u00e1rie\u201d<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a> poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Estamos advertidos de que essa l\u00f3gica, suas escans\u00f5es e modula\u00e7\u00e3o temporal est\u00e3o contidas, inclusive, em um trabalho de Escola. O saber do psicanalista depende disso, ao mesmo tempo que a presen\u00e7a do analista est\u00e1 colocada em quest\u00e3o. \u00c9 o que leremos nos textos deste \u00faltimo CODA.<\/p>\n<p>A \u201cpresen\u00e7a do analista em corpo e o ato perturbando a defesa com um for\u00e7amento em dire\u00e7\u00e3o ao real\u201d, como nos traz Carla Fernandes. A presen\u00e7a do analista que \u201cempresta o corpo para ser o suporte de uma presen\u00e7a a servi\u00e7o do ato\u201d, como afirma Andr\u00e9a Reis. \u201cA presen\u00e7a do analista que toma forma de <em>a<\/em>. Na posi\u00e7\u00e3o de semblante de <em>a<\/em> oferece-se \u00e0 resson\u00e2ncia da l\u00edngua de cada um\u201d, segundo Iordan Gurgel. Mas, tamb\u00e9m, podemos dizer que quando Lacan nos coloca a quest\u00e3o dos \u201ccorpos aprisionados pelo discurso\u201d, ele coloca \u201co analista na berlinda\u201d, como destaca Maria Josefina Sota Fuentes: \u201co analista estar\u00e1 tanto mais \u00e0 altura de sustentar a psican\u00e1lise no mundo, seja aonde for, quanto mais for capaz de dar corpo, com sua presen\u00e7a e seu dizer, n\u00e3o \u00e0 fratria dos corpos, \u00e0 SAMCDA, mas a um objeto precioso, ausente no mercado: o vazio em causa do desejo, ali onde qualquer rela\u00e7\u00e3o de dom\u00ednio queira dele se apossar\u201d.<\/p>\n<p>\u201cAnalista: presente!\u201d e \u201cCl\u00ednica: presente!\u201d. Qual \u201ca possibilidade para se construir um corpo que prescinda do aprisionamento nas ins\u00edgnias identificat\u00f3rias do Outro social\u201d? Do resto e do n\u00f3, a escrita em jogo com rela\u00e7\u00e3o ao Um do gozo \u00e9 o que nos traz Marcus Andr\u00e9 Vieira em seu texto. E mais, nos traz a precis\u00e3o sobre o que \u00e9 uma parte (n\u00e3o enumer\u00e1vel) e o que \u00e9 um elemento (contabiliz\u00e1vel) de um conjunto.<\/p>\n<p>Do zero e do n\u00e3o-enumer\u00e1vel; o Um e o conjunto vazio, trazidos por Marcus, nos colocam em conversa com o recorte cl\u00ednico trazido por Renato Vieira sobre \u201ca conting\u00eancia de um encontro e seus efeitos no campo do Outro. (&#8230;) O parceiro (deste falasser) toca uma parte de seu corpo de forma memor\u00e1vel, prazerosa e repulsiva\u201d. E ainda segundo Marcus Andr\u00e9, podemos \u201csempre contabilizar os orgasmos, mas nunca totalmente o gozo vivido, diferen\u00e7a que o que o modo de la\u00e7o discursivo dito \u201cmacho\u201d n\u00e3o entende. O conjunto do que posso contar de um encontro amoroso, sempre parece menor do que foi a experi\u00eancia. Ela \u00e9 feita de tudo o que posso contar dela e mais todo o resto que n\u00e3o consigo transmitir\u201d.<\/p>\n<p>Essa e muitas outras conversas se dar\u00e3o em novembro! Ent\u00e3o, deixo aqui outras tantas quest\u00f5es colocadas neste \u00faltimo n\u00famero de CODA, para conversarmos presencialmente em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>\u201cQual a rela\u00e7\u00e3o entre linguagem e corpo? Como favorecer, no horizonte de uma an\u00e1lise, que o real do sintoma seja tocado, indo al\u00e9m do adormecimento do sentido, da estrutura de fic\u00e7\u00e3o que o analisante construiu em torno do furo?\u201d, perguntas que nos coloca Carla Fernandes. \u201cO H\u00e1 Um \u00e9 distinto do atributo de uma classe, portanto, n\u00e3o tem nada com o universal; \u00e9 o Um que comanda e cria o ser, que varre a ideia do dois da rela\u00e7\u00e3o sexual, fazendo prevalecer a dimens\u00e3o do real. Nesta dire\u00e7\u00e3o, a via do Um-sozinho do gozo nos leva a questionar: Quais consequ\u00eancias podemos extrair desta mudan\u00e7a? Como intervir a partir do real e n\u00e3o mais se referenciar no desejo?\u201d, quest\u00f5es que nos s\u00e3o endere\u00e7adas por Iordan Gurgel. \u201cSeria poss\u00edvel, ao menos para o analista, despertar do sonho ao <em>amanhecer em Baltimore<\/em>?\u201d, pergunta Maria Josefina. \u201cComo poder\u00edamos pensar a festa que ocorre como parte do rito em que corpos s\u00e3o tomados pela experi\u00eancia m\u00edstica?\u201d \u00e9 a quest\u00e3o trazida por Wilker Fran\u00e7a a partir da cultura Yorub\u00e1 e dos rituais do candombl\u00e9. E \u201co que parece incontorn\u00e1vel \u00e9 saber o que poderia se instalar como poss\u00edvel tratamento dos racismos que se apresentam e seguir\u00e3o se apresentando no mundo, se haveria uma solu\u00e7\u00e3o universal para tratar desse gozo em sua pluralidade a partir de nossa \u00e9tica?\u201d, pergunta levantada por Nelson Matheus a partir da ciranda de Lia de Itamarac\u00e1.<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 universal \u2013 Lia de Itamarac\u00e1 nos ensina seu saber fazer singular a partir do que adv\u00e9m da cultura popular. E os psicanalistas? Ser\u00e1 que est\u00e3o advertidos de que h\u00e1 a possibilidade de constituir uma comunidade a partir de uma l\u00f3gica de \u201cidentifica\u00e7\u00f5es n\u00e3o segregativas\u201d?<\/p>\n<p>Boa leitura e at\u00e9 novembro, em S\u00e3o Paulo, com os corpos presentes!<\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"font-size: 10px;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Laurent, \u00c9. \u201cRacismo 2.0\u201d. In: <em>Lacan Cotidiano<\/em>, n. 371, 2014. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/ampblog2006.blogspot.com\/2014\/02\/lacan-cotidiano-n-371-portugues.html\">http:\/\/ampblog2006.blogspot.com\/2014\/02\/lacan-cotidiano-n-371-portugues.html<\/a><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10px;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Lacan, J. \u201cO tempo l\u00f3gico e a asser\u00e7\u00e3o da certeza antecipada\u201d. In: <em>Escritos<\/em>. RJ: Zahar, 1998, p. 213.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Patricia Badari (EBP\/AMP) Diretora Geral da EBP \u201cOs corpos aprisionados pelo discurso &#8230;e seus restos\u201d \u2013 XXV Encontro Brasileiro do Campo Freudiano. Um Encontro que \u00e9 precedido por vinte e quatro outros Encontros e que conta com uma comunidade de trabalho. 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