{"id":698,"date":"2024-10-22T06:20:49","date_gmt":"2024-10-22T09:20:49","guid":{"rendered":"https:\/\/encontrobrasileiroebp2024.com.br\/?p=698"},"modified":"2024-11-04T12:13:43","modified_gmt":"2024-11-04T15:13:43","slug":"a-parte-que-me-cabe-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/encontrobrasileiroebp2024.com.br\/index.php\/2024\/10\/22\/a-parte-que-me-cabe-1\/","title":{"rendered":"A parte que me cabe&#8230;<sup>[1]<\/sup>"},"content":{"rendered":"<p><strong>(Notas sobre o \u00faltimo ensino e a cl\u00ednica psicanal\u00edtica)<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><em>Marcus Andr\u00e9 Vieira (AME da EBP\/AMP)<\/em><\/span><\/p>\n<p><strong>De Uns<\/strong><a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a><\/p>\n<p>Parece anacr\u00f4nico promover o Um, como faz Lacan no <em>Semin\u00e1rio 19<\/em>, quando estamos banhados, hoje, em ampla idealiza\u00e7\u00e3o do m\u00faltiplo, das m\u00faltiplas tribos, sexualidades, identidades. Tudo o que \u00e9 plural e diverso parece superior ao que \u00e9 unit\u00e1rio e geral.<\/p>\n<p>A multiplicidade, t\u00e3o idealizada em nossos dias, torna-se apenas enxame, quando n\u00e3o guerra de tribos, se n\u00e3o estiver em rela\u00e7\u00e3o com algum modo de coes\u00e3o e coer\u00eancia que lhe confira um m\u00ednimo de unidade. Ent\u00e3o, mais que nunca, esse semin\u00e1rio \u00e9 atual. Resta delimitar do que ele trata quando fala em Um.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, vamos ao que n\u00e3o \u00e9 o Um de que fala Lacan nesse semin\u00e1rio.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 o Um da exce\u00e7\u00e3o, o um dito patriarcal. Este, \u00e9 vazio. A exce\u00e7\u00e3o, seja o rei ou o papa, n\u00e3o faz parte do conjunto e, nesse conjunto, ela \u00e9 um ponto-cego, um furo &#8211; tal como Freud dramatizou em <em>Totem e Tabu<\/em>. Quando um coletivo se estabelece desse modo \u00e9 porque o pai j\u00e1 morreu e s\u00f3 se apresenta como fantasma. \u00c9 o poder da cadeira vazia do fundador.<\/p>\n<p>Essa estrutura do discurso do mestre est\u00e1 presente nos la\u00e7os patriarcais \u2013 desde que n\u00e3o se confunda patriarcado com autoritarismo puro e simples, do tirano, ou do chefe obsceno de seita. Muitas vezes, por\u00e9m, nos balizamos pelo mestre, esquecendo o quanto o poder da exce\u00e7\u00e3o est\u00e1 combalido. Desse modo, nos limitamos, como disse Caetano, a atirar pedras amanh\u00e3 no velhinho que morreu ontem. Sabemos que o mestre contempor\u00e2neo n\u00e3o \u00e9 mais este, mas, sim, o capital. Ora, o mercado n\u00e3o se organiza em torno de subordina\u00e7\u00e3o \u00e0 exce\u00e7\u00e3o alguma. Nada se excetua ao ilimitado do mercado, ningu\u00e9m o governa, nem mesmo a tal \u201cFaria Lima\u201d.<\/p>\n<p>O Um na an\u00e1lise n\u00e3o \u00e9 tampouco o Um da paranoia que cresce exponencialmente quando se evapora o Um do mestre. \u00c9 quase imposs\u00edvel viver coletivamente sem alguma unidade. O Um paranoico vem, ent\u00e3o, desempenhar esse papel. \u00c9 o Um do inimigo designado, corporificado, contra o qual todos devemos lutar; se n\u00e3o h\u00e1 inimigo, inventa-se um. Disso, temos tido grande amostra nos \u00faltimos anos, mas \u00e9 bom lembrar que o Um paranoico n\u00e3o \u00e9 apenas o do \u00f3dio, pode ser o do amor louco, a erotomania do \u00eddolo, por exemplo.<\/p>\n<p>O termo de J. A. Miller para resumir a generaliza\u00e7\u00e3o desse Um imagin\u00e1rio, de um imagin\u00e1rio r\u00edgido \u2013 onde entram n\u00e3o apenas o da paranoia, como tamb\u00e9m as identifica\u00e7\u00f5es excessivamente r\u00edgidas de hoje \u2013, \u00e9 perfeito: o <em>Um-dividualismo<\/em> contempor\u00e2neo.<\/p>\n<p><strong>Do Um e da an\u00e1lise<\/strong><\/p>\n<p>Em uma an\u00e1lise, h\u00e1 um evidente<em> Um<\/em>. \u00c9 a unidade corporal, a unidade do narcisismo em conson\u00e2ncia com a consci\u00eancia e com o eu, descrita por Lacan no \u201cEst\u00e1dio do espelho&#8230;\u201d, em sua estrutura e sua forma\u00e7\u00e3o. Mais uma vez, o Um visado por Lacan em seu \u00faltimo ensino, n\u00e3o \u00e9 este.<\/p>\n<p>O Um em quest\u00e3o s\u00f3 se apresenta em um plano paradoxal, pouco \u201cp\u00e9-no-ch\u00e3o\u201d. Como denominar este plano? Proponho o modo como Miller o descreveu certa vez: <em>Aqu\u00e9m do recalque<\/em>. Aqu\u00e9m, ou seja, anterior \u00e0 instaura\u00e7\u00e3o do Um ed\u00edpico, da exce\u00e7\u00e3o como furo, que \u00e9 o poder da castra\u00e7\u00e3o generalizada, que sustenta a tens\u00e3o dial\u00e9tica entre o Um da consci\u00eancia e o m\u00faltiplo do inconsciente.<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a> Este plano, o de um gozo <em>opaco<\/em>, ser\u00e1 acessado por Lacan, longe de qualquer negatividade, a partir dos empr\u00e9stimos por ele feitos junto \u00e0quilo que a teoria dos conjuntos delimita como Um.<\/p>\n<p>Em nossa comunidade, falamos em campo <em>Uniano <\/em>e em <em>Um do gozo<\/em>, mas a express\u00e3o original e bastante precisa de Lacan \u00e9 <em>haum <\/em>[<em>il y a de l\u2019un<\/em>]; mais uma de tradu\u00e7\u00e3o imposs\u00edvel, especialmente por conta do uso do partitivo com a preposi\u00e7\u00e3o <em>de<\/em> que n\u00e3o usamos no portugu\u00eas. Tentamos, na vers\u00e3o brasileira do semin\u00e1rio, escrever <em>haum<\/em>, tudo junto e com min\u00fasculas, para desvalorizar o Um, para n\u00e3o acreditarmos muito no Um da express\u00e3o, mas n\u00e3o pegou. Constato que a cada vez que se diz <em>haum<\/em>, ouve-se <em>h\u00e1 Um<\/em>, quase o oposto do que queria Lacan. Ao que tudo indica, somos ainda demasiadamente adoradores do Um. Em franc\u00eas, seria algo como \u201cum tanto de um\u201d, \u201cum bocado de um\u201d, como se existisse \u201calgo de um\u201d nesse gozo original, um \u201cpodendo ser um\u201d, mas n\u00e3o necessariamente j\u00e1 sendo. \u00c9 algo que existe, mas que, n\u00e3o necessariamente, \u00e9 coisa que se pega com as m\u00e3os.<\/p>\n<p>Chovem quest\u00f5es neste ponto: Como articular a dimens\u00e3o do corpo aprisionado pelo discurso com a l\u00f3gica estabelecida pelo <em>Haum<\/em>? De que corpo e de que discurso estamos falando? Podemos falar em um corpo <em>aqu\u00e9m<\/em> do imagin\u00e1rio? E podemos falar de um discurso <em>aqu\u00e9m<\/em> dos quatro discursos? Seria isso o plano mais geral da linguagem? O de <em>lal\u00edngua<\/em>? <a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a><\/p>\n<p>Nossa comunidade vem produzindo as respostas necess\u00e1rias. Quero apenas enfatizar um ponto espec\u00edfico que me parece importante para toda essa discuss\u00e3o. \u00c9 o tema da escrita na cl\u00ednica psicanal\u00edtica em sua rela\u00e7\u00e3o com o <em>haum<\/em>. Para isso, ser\u00e1 preciso um pequeno desvio pela diferen\u00e7a entre o que \u00e9 uma <em>parte<\/em> e o que \u00e9 um <em>elemento<\/em> de um <em>conjunto<\/em>, muito utilizada por Lacan neste semin\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>Da parte e do elemento<\/strong><\/p>\n<p>Estamos habituados a pensar que um conjunto s\u00f3 tem elementos, mas n\u00e3o \u00e9 necessariamente o caso. Tomemos o conjunto dos presentes numa confer\u00eancia. O conjunto desse p\u00fablico \u00e9 o agrupamento formado pelas pessoas presentes, contadas uma a uma. Certo. Basta, por\u00e9m, estarmos lidando com coisas menos individualiz\u00e1veis, como tudo o que h\u00e1 nas bolsas dos presentes, por exemplo, para as coisas se complicarem. Elas devem ser inclu\u00eddas, uma a uma no conjunto dos elementos do p\u00fablico que assiste a confer\u00eancia? E o que dizer dos sons, os risos, os pigarros? E os sentimentos e as rea\u00e7\u00f5es afetivas do p\u00fablico? Nada disso parece facilmente contabiliz\u00e1vel.<\/p>\n<p>Estamos o tempo todo, analistas, lidando com este tipo de objeto mais-ou-menos-objeto. Pensem no sonho. H\u00e1 tanta coisa ali imprecisa demais ou mutante demais para que possa ser contada \u2013 tanto no sentido de contabilizar, quanto no de contar aos amigos ou \u00e0 fam\u00edlia. Outro exemplo. Algu\u00e9m, em an\u00e1lise, falava do cheiro da urina da m\u00e3e no banheiro. At\u00e9 podemos tornar o banheiro, a privada, a m\u00e3e como elementos, mas o cheiro?<\/p>\n<p>Definiremos, ent\u00e3o, esse tipo de objeto como <em>parte<\/em> da experi\u00eancia, n\u00e3o um <em>elemento<\/em>. Diremos, ainda, que h\u00e1 sempre um tanto da experi\u00eancia que se situa no campo do contabiliz\u00e1vel, s\u00e3o seus elementos, mas outro tanto resta no campo do cont\u00ednuo, do n\u00e3o-enumer\u00e1vel, s\u00e3o partes, fazem parte de uma dada experi\u00eancia sem que possam ser contadas uma por uma.<\/p>\n<p>Essa distin\u00e7\u00e3o, por si s\u00f3, j\u00e1 \u00e9 de valia quando queremos abordar a que corresponde o <em>sexual<\/em> para Freud. Um tanto dele pode ser elemento: as experi\u00eancias sexuais propriamente ditas, por exemplo. Outro tanto participa de muitas outras experi\u00eancias apenas como parte e n\u00e3o como elemento. Podemos, assim, dizer que o sexual <em>faz parte<\/em> do prazer de chuparmos um sorvete ou brincarmos com a lama do jardim, mas n\u00e3o \u00e9 um de seus elementos.<\/p>\n<p>S\u00e3o dois modos de exist\u00eancia bem ao alcance de nossa experi\u00eancia quotidiana; pertencer a um coletivo, por exemplo, como um de seus elementos ou fazer parte dele sem ser, nele, contado, como um de seus integrantes.<\/p>\n<p><strong>Do zero e do n\u00e3o-enumer\u00e1vel<\/strong><\/p>\n<p>A matem\u00e1tica prop\u00f5e um modo n\u00e3o standard de operar com essa distin\u00e7\u00e3o da qual Lacan vai se servir, e isso envolve o Um e o conjunto vazio.<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a><\/p>\n<p>Vamos assumir que a cada conjunto dado, podemos imaginar um subconjunto constitu\u00eddo pelo conjunto de suas partes. N\u00e3o posso cont\u00e1-las, mas posso supor sua reuni\u00e3o. Se agrupo, agora, o conjunto dos elementos de um conjunto mais o subconjunto de suas partes, fica evidente que este novo conjunto ser\u00e1 necessariamente maior que o primeiro.<\/p>\n<p>Novamente, alguns exemplos para deixar claro que essa nova articula\u00e7\u00e3o, entre o conjunto dos elementos e o conjunto dos elementos mais o das partes, n\u00e3o acontece em um abstrato mundo da matem\u00e1tica. O conjunto do que posso contar de um encontro amoroso, por exemplo, sempre parece menor do que foi a experi\u00eancia. Ela \u00e9 feita de tudo o que posso contar dela e mais <em>todo o resto <\/em>que n\u00e3o consigo transmitir. Fica, ainda mais claro, com rela\u00e7\u00e3o ao gozo. Como contabilizar uma experi\u00eancia de \u00eaxtase? De deslumbramento? E isso vale ainda para a pr\u00f3pria experi\u00eancia sexual: posso sempre contabilizar os orgasmos, mas nunca totalmente o gozo vivido, diferen\u00e7a que o modo de la\u00e7o discursivo dito \u201cmacho\u201d n\u00e3o entende.<\/p>\n<p>A l\u00f3gica dos conjuntos vai situar, exatamente, com rela\u00e7\u00e3o a esse excesso do conjunto das partes com rela\u00e7\u00e3o ao dos elementos, a fun\u00e7\u00e3o do <em>conjunto vazio<\/em>. De fato, o matem\u00e1tico arranjou um jeito de incluir o gozo que n\u00e3o se contabiliza. Como conjunto vazio. \u00c9 s\u00f3 dizer: essas partes todas que n\u00e3o posso dizer, que est\u00e3o em excesso com rela\u00e7\u00e3o ao conjunto de base, dos elementos, n\u00e3o vou exclu\u00ed-las ao modo macho \u2013 como loucura feminina ou modo paranoico \u2013, nem vou diviniz\u00e1-las ao modo religioso, vou us\u00e1-las, usar seu excesso, me servir dele. Para isso, vou index\u00e1-las em uma representa\u00e7\u00e3o vazia de sentido, o conjunto vazio. A partir da\u00ed, aquilo tudo que era parte passa a se contabilizar no conjunto dos elementos como um ponto, ponto cego, mas ponto, que passa a ser elemento. Como resume Miller: \u201cQuando se contam as partes do conjunto, os subconjuntos, ele [o conjunto vazio] aparece, como por milagre, como um-a-mais\u201d<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>.<\/p>\n<p><strong>Do vazio e do excesso<\/strong><\/p>\n<p>O conjunto vazio, portanto, n\u00e3o \u00e9 de modo algum nada. Ele ser\u00e1, inclusive, por seu car\u00e1ter de impreciso excesso com rela\u00e7\u00e3o ao conjunto dos elementos, a base para estabilizar o que \u00e9 elemento e o que n\u00e3o \u00e9.<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a>\u00a0 Como, por\u00e9m, somos crentes do vazio, passamos a achar que o conjunto vazio representa uma negatividade essencial, anterior a tudo. N\u00e3o, ela nasce junto com a contagem! \u00c9 quando o gozo vira falta e o desejo vira busca.<\/p>\n<p>\u00c9 esta dimens\u00e3o de um gozo n\u00e3o contabiliz\u00e1vel, mas presente, n\u00e3o vazio, que Lacan resgata em seu \u00faltimo ensino: h\u00e1 \u201cum tanto de Um\u201d ali, <em>Il y a de l\u2019Un<\/em>.<\/p>\n<p>De quebra, o \u00faltimo ensino nos cura da ideia crente em um grande Um &#8211; Um trauma fundamental, Uma origem, Uma percuss\u00e3o, at\u00e9 mesmo da ideia de \u201cUm choque\u201d inaugural do significante sobre O corpo.<\/p>\n<p>O vazio s\u00f3 \u00e9 furo a partir de uma opera\u00e7\u00e3o. O conjunto vazio, aqui, \u00e9 o lugar dessa opera\u00e7\u00e3o. Ponto de passagem, revers\u00edvel, encruzilhada. \u00c9 vazio de ser, de ess\u00eancia, mas situa uma pura exist\u00eancia sem corpo ou forma que pode nos servir, e muito. Essa transmuta\u00e7\u00e3o da parte em elemento, ou ainda, da passagem do campo dos elementos de uma vida para o Outro gozo que a habita, do gozo f\u00e1lico ao Outro gozo, \u00e9 o que est\u00e1 em jogo do come\u00e7o ao fim em uma an\u00e1lise. Uma an\u00e1lise vai justamente em dire\u00e7\u00e3o a certo resgate desse gozo Outro, gozo que n\u00e3o o neur\u00f3tico (da falta e da saudade, da divis\u00e3o e da perda). Ele traz a experi\u00eancia de certeza, da vida como exist\u00eancia, presen\u00e7a aqui e agora, que escapa sempre ao sujeito dividido \u00e0s voltas com seus imposs\u00edveis.<\/p>\n<p><strong>Do OMO e do UOM<\/strong><\/p>\n<p>Vejamos um fragmento cl\u00ednico para que possamos verificar o mais diretamente poss\u00edvel como esses conceitos nos servem.<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a><\/p>\n<p>\u00c9 o caso de uma mulher que ap\u00f3s muitas idas e vindas de sua an\u00e1lise \u2013 com toda a redu\u00e7\u00e3o que o progresso anal\u00edtico nos d\u00e1, quando as tantas cenas se reduzem a poucos elementos essenciais \u2013 chega a duas linhas fundamentais. Muito esquematicamente, a primeira diz respeito ao pai. Ela \u00e9 filha bastarda de um pol\u00edtico importante. Ele teria um passado bastante sujo como corrupto ou colaboracionista na guerra. Ela \u00e9 uma trabalhadora incans\u00e1vel que, para arrumar as situa\u00e7\u00f5es, deixava tudo \u00e0s claras e todo esse gozo vai se resumindo \u00e0 frase fantasm\u00e1tica de <em>limpar o nome do pai, imaculado<\/em>, <em>lavar seu nome<\/em>.<\/p>\n<p>Por outro lado, a segunda linha da gera\u00e7\u00e3o materna, \u00e9 feita de uma rejei\u00e7\u00e3o por abandono. Um abandono encarnado por uma fragilidade enorme da m\u00e3e que aparece como um desfazer-se em situa\u00e7\u00f5es em que a crian\u00e7a a demandava, incluindo a ruptura da bolsa do parto quando de seu nascimento, \u201cperda das \u00e1guas\u201d na express\u00e3o de sua l\u00edngua materna. Nesse processo, ela traz uma s\u00e9rie de sonhos que apresentam o desejo da m\u00e3e como um cont\u00ednuo l\u00edquido, um rio incessante.<\/p>\n<p>Pois bem, ela chega, na an\u00e1lise, a uma montagem dessas duas linhas, um n\u00f3. A partir de um sonho com o sab\u00e3o em p\u00f3 OMO, ela assume essa palavra bizarra como uma jun\u00e7\u00e3o que sintetiza sua encruzilhada fundamental, enla\u00e7ando ao menos tr\u00eas trilhamentos. O gozo fantasm\u00e1tico, de lavar o nome e de precisar ser f\u00e1lica num trabalho eterno; o temor do derretimento, do liquefazer-se, que sempre vinha assombrar e perturbar o trabalho insano do primeiro trilhamento e, finalmente, o Um do gozo que, aqui, poder\u00edamos caracterizar como sendo o de um fluir torrencial incessante.<\/p>\n<p>O slogan \u201cOMO, que lava mais branco que o branco\u201d, situa esses aspectos de sua vida e o <em>sinthoma<\/em> que seguir\u00e1, mas, agora, reduzido a essa f\u00f3rmula OMO e, por isso mesmo, muito mais aberto a novas experi\u00eancias na liquidez da vida. Nesse sentido, o n\u00f3 n\u00e3o est\u00e1 desde sempre feito, ele se refaz a cada dia, mal rompe a manh\u00e3. N\u00e3o mais para dizer o real, mas para estabilizar uma ex-sist\u00eancia singular na vida coletiva, que Lacan chamou de vida do UOM (o qual, mais que o sujeito do desejo, deveria ser oposto ao falasser).<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a><\/p>\n<p><strong>Do resto e do n\u00f3<\/strong><\/p>\n<p>O que \u00e9 OMO? Um n\u00f3. Encruzilhada. Mas \u00e9, tamb\u00e9m, opera\u00e7\u00e3o sobre o resto. O que \u00e9 o sab\u00e3o em p\u00f3 quando a liquidez da vida passa a ser o gozo principal? Um resto, ap\u00f3s ter se evidenciado como mero meio de passagem, conjunto vazio, saco furado, objeto a. Esse lugar \u00e9, na teoria lacaniana, o que encarna o objeto a. Com o n\u00f3, esse <em>topos<\/em> se apresenta mais pr\u00f3ximo de um movimento de passagem. O resto, aqui, n\u00e3o \u00e9 mais um resto do gozo Original, mas apenas uma de suas metamorfoses paradoxais, <em>semblant<\/em>.<\/p>\n<p>Os restos fantasm\u00e1ticos com que essa mulher sempre lidou \u2013 a mancha sobre o nome da fam\u00edlia ou o desmaio da m\u00e3e e das mulheres \u2013 pareciam ser o real, mas isso ser\u00e1 transformado, pela entrada em cena do gozo do Um, em coisa qualquer, p\u00f3 sol\u00favel.<\/p>\n<p>Para concluir, queria chamar aten\u00e7\u00e3o para o papel da analogia da experi\u00eancia anal\u00edtica com a escrita. Habitualmente, assumimos que uma an\u00e1lise vai reduzindo as mem\u00f3rias a seus tra\u00e7os, marcas, por um lado, e o gozo que nessas marcas se fixou, por outro. A ideia \u00e9 recompor os tra\u00e7os e \u201clibertar\u201d o gozo, nelas preso.<\/p>\n<p>Agora, estamos supondo, por\u00e9m, que \u00e9 poss\u00edvel n\u00e3o agir apenas sobre os tra\u00e7os que nos singularizam, mas rearticular esses tra\u00e7os com as imagens que nos comp\u00f5em e particularizam e, finalmente, com a vida na qual tudo isso circula.<\/p>\n<p>A escrita que essa opera\u00e7\u00e3o de enlace nodal comp\u00f5e, se ela puder ser aproximada de algum g\u00eanero, n\u00e3o ser\u00e1 a de um texto em prosa, como Lacan inicialmente nos convida a ouvir a fala analisante, mas, sim, poesia, mais especialmente, a poesia concreta. N\u00e3o mais uma combinat\u00f3ria de letras, mas um n\u00f3 dessas letras, uma encruzilhada material de sentidos poss\u00edveis, como, por exemplo, essa de que gosto tanto, de Arnaldo Antunes: <em>The And<\/em>.<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a><\/p>\n<p>Nesse aspecto, a escrita n\u00e3o \u00e9 mais impress\u00e3o, mas n\u00f3. \u00c9 essa escrita que est\u00e1 em jogo com rela\u00e7\u00e3o ao Um do gozo. N\u00e3o mais a escrita que traduz e sempre esbarra em um imposs\u00edvel, mas a escrita que amarra, d\u00e1 liga, d\u00e1 pega [<em>\u00e7a tient<\/em>] e p\u00f5e o imposs\u00edvel do gozo na vida.<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a><\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"font-size: 10px;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Texto redigido para a apresenta\u00e7\u00e3o na Preparat\u00f3ria da EBP \u2013 Se\u00e7\u00e3o Rio de Janeiro, para o XXV Encontro Brasileiro do Campo Freudiano, \u201cOs corpos aprisionados pelos discursos &#8230;e seus restos\u201d, com Ana Tereza Groisman e Paula Bors\u00f3i. Este texto n\u00e3o existiria sem rica conversa pr\u00e9via com ambas, assim como o trabalho de dez cart\u00e9is preparat\u00f3rios para o evento que nos enviaram suas quest\u00f5es e reflex\u00f5es e que retomo em parte ao longo do texto.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10px;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> O t\u00edtulo de nosso Encontro p\u00f5e em cena os <em>corpos<\/em>, as <em>falas<\/em> (modos de fala, discursos) que os atravessam (e mais que isso, os constituem) assim como o que <em>resta<\/em> desse encontro, o que resta de vivente nunca totalmente colonizado, em nosso ser, pelos discursos. \u00c9 uma articula\u00e7\u00e3o mais ou menos conhecida por n\u00f3s, lacanianos. Ao mesmo tempo, s\u00e3o temas \u201cp\u00e9-no-ch\u00e3o\u201d, mundanos. Mas, a escolha do <em>Semin\u00e1rio 19<\/em> e deste momento do ensino de Lacan nos leva ao cora\u00e7\u00e3o do que Miller recortou na continuidade dos semin\u00e1rios e denominou <em>\u00faltimo ensino<\/em>. Em seus \u00faltimos semin\u00e1rios, Lacan introduz toda uma s\u00e9rie de conceitos-ferramenta e nenhum deles parece muito \u201cp\u00e9 no ch\u00e3o\u201d: o n\u00f3, o litoral, o sinthoma, a ex-sist\u00eancia, a pai-vers\u00e3o, lal\u00edngua, o falasser, entre outros neologismos, que pedem para ser mais explorados em seu uso cl\u00ednico, como ferramentas. Especialmente com rela\u00e7\u00e3o ao <em>Semin\u00e1rio 19<\/em>, um destes temas chama a aten\u00e7\u00e3o. \u00c9 o tema do Um &#8211; do que em nossa experi\u00eancia pode sustentar unidade ou n\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10px;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> \u201cNeste espa\u00e7o, aqu\u00e9m do recalque, tudo est\u00e1 por ser constru\u00eddo\u201d (Miller, J. A. O ser e o Um [<em>l\u2019Un tout seul<\/em>], li\u00e7\u00e3o de 30\/3\/2011). Vale lembrar que este aqu\u00e9m \u00e9 mais uma figura ret\u00f3rica do que um lugar, sen\u00e3o voltar\u00edamos para toda a fantasmagoria primitivista de uma fase pr\u00e9-ed\u00edpica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10px;\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Segue um apanhado de quest\u00f5es dos dez cart\u00e9is com temas relacionados ao XXV Encontro que enviaram quest\u00f5es para esta mesa sem as quais este texto seria imposs\u00edvel. Nestas quest\u00f5es, fica clara a dire\u00e7\u00e3o geral das investiga\u00e7\u00f5es de interrogar como operar na cl\u00ednica a partir do \u00faltimo ensino: Como articulamos a dimens\u00e3o do corpo aprisionado pelo discurso com a l\u00f3gica estabelecida pelo <em>Haum<\/em>? Como lidar com um registro opaco do corpo? Que est\u00e1 ligado ao gozo e n\u00e3o \u00e0s formas que prop\u00f5em o Outro do narcisismo (de um corpo com furos por onde circula o desejo?) Como ter acesso ao Outro considerando o <em>Haum<\/em>?\u00a0 O discurso, como lugar do Outro, incide em lal\u00edngua ou apenas lal\u00edngua incide no Outro da l\u00edngua? Como se introduz a dimens\u00e3o do Um na cl\u00ednica? Ou, melhor, como se introduz a cl\u00ednica a esse plano? Pela presen\u00e7a do analista? Pela interpreta\u00e7\u00e3o? E qual o lugar do inconsciente no campo Uniano, O inconsciente real? Como se apresenta na cl\u00ednica? Como <em>Haum<\/em>, o inconciente estaria, ent\u00e3o, no lugar da conting\u00eancia? Mas em cada resson\u00e2ncia do significante n\u00e3o se mant\u00e9m sempre um elemento do Um original? N\u00e3o seria isso a iteratividade?\u00a0 Se no campo do gozo, o Um domina, como situar a transfer\u00eancia? Como se faz a parceria com o analista na atualidade? Como seria a presen\u00e7a da itera\u00e7\u00e3o na cl\u00ednica dos nossos dias? No trabalho de escuta da cl\u00ednica, na apreens\u00e3o do que \u00e9 repeti\u00e7\u00e3o e itera\u00e7\u00e3o, o que \u00e9 um acontecimento de corpo? Como diferenciar o acontecimento de corpo de um fen\u00f4meno de corpo?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10px;\"><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Apresento a seguir minha leitura, a mais p\u00e9-no-ch\u00e3o poss\u00edvel de um segmento da axiom\u00e1tica de Zermelo-Fraenkel. Para uma exposi\u00e7\u00e3o dessa axiom\u00e1tica, al\u00e9m do pr\u00f3prio Lacan, cf. o passo a passo de Alain Badiou em \u201cUm, dois, tr\u00eas, quatro, e tamb\u00e9m o zero\u201d, <em>Para uma nova teoria do sujeito: Confer\u00eancias brasileiras<\/em>, Rio de Janeiro, Relume-Dumar\u00e1, 1994 (cf. tamb\u00e9m Badiou, A. <em>O ser e o evento<\/em>, Rio de Janeiro, JZE, 1996, p. 63 e seguintes).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10px;\"><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Miller, J. A. O ser e o Um [<em>l\u2019Un tout seul<\/em>], li\u00e7\u00e3o de 23\/3\/2011. (in\u00e9dito)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10px;\"><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> O gozo a que se refere o subconjunto das partes na base do conjunto vazio, intenso, fundamental, sustenta a contagem est\u00e1vel dos n\u00fameros inteiros, j\u00e1 que o Um como elemento \u00e9 Um porque <em>n\u00e3o \u00e9<\/em> aquilo tudo. \u00c9 com rela\u00e7\u00e3o ao zero que o um como elemento se estabiliza e a seguir, o dois ser\u00e1 este um mais um e assim por diante (cf. Miller, J. A. \u201cA sutura\u201d, Miller, J.-A., <em>Matemas II<\/em>, Buenos Aires, Manantial, 1994. A n\u00e3o ser que se esque\u00e7a completamente do \u201cmodo parte\u201d de exist\u00eancia e s\u00f3 se consiga ver o mundo sob o modo \u201celemento\u201d (n\u00e3o \u00e9 o que acontece hoje quando tudo \u00e9 dinheiro?).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10px;\"><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> Blancard, M. H. \u201cO sintoma como carta n\u00e3o-retirada\u201d, <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana, n. 68-69<\/em>, S\u00e3o Paulo, EBP, 2014. Este testemunho de passe foi sugerido por Andr\u00e9a Reis a quem agrade\u00e7o. Deixei o nome pr\u00f3prio da autora apenas nas notas por temer que a autoria ofusque o ato de enlace que \u00e9 o mais importante, uma vez que o nome Blancard, que remete \u00e0 brancura e poderia levar a leitura em dire\u00e7\u00e3o a um \u201cestava escrito\u201d, que \u00e9 o contr\u00e1rio da ideia da escrita do n\u00f3s, sempre ligada a um fazer e n\u00e3o apenas a um ler o que j\u00e1 l\u00e1 estaria (cf. Miller, J. A. \u201cLer o sintoma\u201d, <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana n\u00b0 70<\/em>, S\u00e3o Paulo, EBP, 2015).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10px;\"><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> Podemos opor o falasser ao sujeito com rela\u00e7\u00e3o a momentos diferentes do ensino de Lacan, mas em termos cl\u00ednicos \u00e9 bem mais rico opor o falasser ao UOM. Enquanto o primeiro tem um ser (e um corpo) que escapole a cada instante, o segundo traz a possibilidade de enfatizar sua tend\u00eancia \u00e0 rigidez, fixada pelo imagin\u00e1rio do um-dividualismo contempor\u00e2neo (cf. Lacan, J. \u201cJoyce, o Sintoma\u201d, <em>Outros Escritos<\/em>, Rio de Janeiro, Zahar, 2003, p. 561. Cf. Brousse M. H. <em>Mulheres e discursos<\/em>, Rio de Janeiro, Contra Capa, 2019, p. 166).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10px;\"><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> \u00c9 dif\u00edcil imaginar o n\u00f3 como uma nova concep\u00e7\u00e3o de escrita, mas \u00e9 exatamente o que afirma Miller: \u201cs\u00f3 o que sei \u00e9 que o n\u00f3 \u00e9 uma nova forma de escrita\u201d.\u00a0 Cf. Miller, J. A. \u201cNota passo a passo\u201d, in: Lacan, J. <em>O Semin\u00e1rio, livro 23<\/em>, Rio de Janeiro JZE, 2007, p. 213. \u00c9 uma nova maneira de entender a <em>sobredetermina\u00e7\u00e3o<\/em> freudiana que \u201cformaliza de modo mais radical a ess\u00eancia dos discursos\u201d (cf. o argumento do Encontro por sua comiss\u00e3o cient\u00edfica e Lacan, J. \u201cOs corpos aprisionados pelo discurso\u201d. In:\u00a0<em>O Semin\u00e1rio, livro 19<\/em>: \u2026ou pior. Rio de Janeiro: Zahar, 2012, cap. XVI, p. 213 e seguintes. Idem, pp. 216-217. \u00c9 o que faz o n\u00f3 borromeano e \u00e9 o que ensinam os neologismos lacanianos. Eles apostam que quanto menos sentido tem um significante, mais indestrut\u00edvel ele \u00e9, mais encruzilhada de sentidos abertos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10px;\"><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> A maneira mais direta que consigo pensar em traz\u00ea-la sem cair em explora\u00e7\u00f5es topol\u00f3gicas \u00e9 usando a express\u00e3o de Lacan da \u00e9poca \u201cest\u00e1 amarrado\u201d a escrita agora \u00e9 quando os tra\u00e7os de enla\u00e7am. Abordei recentemente a tradu\u00e7\u00e3o. Ela corresponde \u00e0 escrita como desenvolve Freud em sua carta 52, de tradu\u00e7\u00f5es e retradu\u00e7\u00f5es sempre deixando escapar ou cercando o real como imposs\u00edvel. O que muda quando o chamamos de Um? \u00c9 que ele n\u00e3o escapa mais, pode ser contado, pode entrar na conta. \u00c9 o que permite o n\u00f3 (cf. Vieira, M. A., \u201cQuando \u201cest\u00e1 amarrado\u201d (\u00e7a tient)\u201d. <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana n 80\/81<\/em>, 2019).<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Notas sobre o \u00faltimo ensino e a cl\u00ednica psicanal\u00edtica) Marcus Andr\u00e9 Vieira (AME da EBP\/AMP) De Uns[2] Parece anacr\u00f4nico promover o Um, como faz Lacan no Semin\u00e1rio 19, quando estamos banhados, hoje, em ampla idealiza\u00e7\u00e3o do m\u00faltiplo, das m\u00faltiplas tribos, sexualidades, identidades. 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