{"id":611,"date":"2024-09-24T18:02:39","date_gmt":"2024-09-24T21:02:39","guid":{"rendered":"https:\/\/encontrobrasileiroebp2024.com.br\/?p=611"},"modified":"2024-11-04T12:07:25","modified_gmt":"2024-11-04T15:07:25","slug":"o-deserto-e-pior","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/encontrobrasileiroebp2024.com.br\/index.php\/2024\/09\/24\/o-deserto-e-pior\/","title":{"rendered":"O deserto \u00e9 pior"},"content":{"rendered":"<p>Rodrigo Lyra Carvalho (EBP\/AMP)<\/p>\n<p>Os modos prevalentes de identifica\u00e7\u00e3o na cultura s\u00e3o um tema primordial para a psican\u00e1lise. Seja em fun\u00e7\u00e3o dos desafios inerentes \u00e0s suas manifesta\u00e7\u00f5es na cl\u00ednica, seja pelo que revelam sobre os la\u00e7os sociais, as tend\u00eancias da constitui\u00e7\u00e3o das subjetividades convocam nossa reflex\u00e3o. Nesse sentido, os movimentos emancipat\u00f3rios que se apoiam em tra\u00e7os de identidade t\u00eam sido, cada vez mais, objeto de nosso debate.<\/p>\n<p>Fui instigado a avan\u00e7ar nessa conversa pelo texto \u201cA marca do analista\u201d, de S\u00e9rgio Laia, difundido no <em>Boletim Coda 04<\/em>, onde ele prop\u00f5e uma articula\u00e7\u00e3o entre os alertas de Lacan a respeito da escalada do racismo e a atua\u00e7\u00e3o dos movimentos identit\u00e1rios contempor\u00e2neos. Ao destacar que Lacan notava a \u201csurpreendente intensifica\u00e7\u00e3o do racismo j\u00e1 no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1970\u201d e ao reconhecer a pertin\u00eancia atual dessa mesma chaga, Laia localiza qual \u00e9, nesse contexto, a especificidade da posi\u00e7\u00e3o anal\u00edtica:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">Os analistas, assim, para fazerem frente ao pior, se valem n\u00e3o dos ideais (por mais nobres, justos e libert\u00e1rios que estes sejam), mas de um dizer: a rela\u00e7\u00e3o sexual n\u00e3o existe. Em outros termos, a inexist\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o sexual, de uma propor\u00e7\u00e3o ou paridade entre os sexos, \u00e9 o furo mesmo do qual se vale a psican\u00e1lise de orienta\u00e7\u00e3o lacaniana para se contrapor ao pior.<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p>\n<p>A perspectiva n\u00e3o poderia ser mais clara e nos serve como uma diretriz decisiva para tempos conturbados. Nosso desafio cl\u00ednico e cultural n\u00e3o fica, contudo, resolvido. Afinal, a aplica\u00e7\u00e3o dessa orienta\u00e7\u00e3o imp\u00f5e quest\u00f5es ulteriores, que nos convocam ao esfor\u00e7o permanente de leitura do real. Para isso, contamos com os debates rumo ao nosso pr\u00f3ximo Encontro e, em \u00faltima inst\u00e2ncia, com o trabalho de Escola.<\/p>\n<p>Ainda no s\u00e9culo passado, Laurent nos lan\u00e7ou a seguinte perspectiva:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">\u00a0No social, o analista especialista da desidentifica\u00e7\u00e3o levava a desidentifica\u00e7\u00e3o a todas as partes [&#8230;], era um analista que pedia a todos seus documentos de identidade para depois dizer-lhes: \u201cPor favor, passem pela m\u00e1quina de desidentifica\u00e7\u00e3o!\u201d [&#8230;] Se os analistas creem que podem ficar a\u00ed, seu papel hist\u00f3rico terminou.<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a><\/p>\n<p>Eu proporia, no cen\u00e1rio atual, acrescentar mais uma camada a essa reflex\u00e3o: \u00e9 dif\u00edcil vislumbrar um papel relevante para o analista que pretenda submeter indiscriminadamente os fen\u00f4menos identificat\u00f3rios, individuais ou coletivos, \u00e0 m\u00e1quina da <em>n\u00e3o rela\u00e7\u00e3o sexual<\/em>. Ou seja, o analista, de forma universal, \u00e9 aquele que se orienta pela <em>n\u00e3o rela\u00e7\u00e3o sexual<\/em>, mas tamb\u00e9m \u00e9 aquele que precisa discernir e tecer, a cada vez, uma conex\u00e3o entre essa orienta\u00e7\u00e3o e o real que tem diante de si.<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a><\/p>\n<p>Com isso em mente, proponho acompanhar alguns passos seguintes do texto de S\u00e9rgio Laia, especialmente quando afirma que:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">[&#8230;] se o racismo, como me parece nos indicar Lacan ao final do Semin\u00e1rio 19, \u00e9 uma das faces do pior, inclusive porque ele se fortalece e se expande no avan\u00e7o mesmo dos discursos que proclamam que \u2018somos todo(a)s irm\u00e3os-irm\u00e3s\u2019 e que, atualmente, se difundem como ser brother, ser bro, ser mano e, tamb\u00e9m, como brotheragem, sororidade, \u2018mexeu com uma, mexeu com todas\u2019, \u00e9 ainda mais decisivo que os analistas n\u00e3o se deixem fascinar por tais proclama\u00e7\u00f5es. <a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a><\/p>\n<p>Dois aspectos desse racioc\u00ednio podem, a meu ver, ser desdobrados: um \u00e9 factual e diz respeito \u00e0 leitura dos movimentos sociais, outro concerne ao modo de compreender a fala de Lacan. Come\u00e7o pelo primeiro.<\/p>\n<p>Se h\u00e1 um tra\u00e7o comum nos variados movimentos em quest\u00e3o, ele consiste na recusa das afirma\u00e7\u00f5es gen\u00e9ricas de igualdade, uma vez que as condi\u00e7\u00f5es reais de vida s\u00e3o t\u00e3o radicalmente desiguais. O que confere a espinha dorsal de sua posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica n\u00e3o \u00e9 a \u201cprolifera\u00e7\u00e3o dos dizeres sobre a liberdade, a igualdade e a fraternidade\u201d, \u00e0 qual Laia se refere, mas justamente o oposto, a den\u00fancia das proposi\u00e7\u00f5es que pretendem gerar universais pol\u00edticos sem que existam as mais elementares condi\u00e7\u00f5es reais para sua enuncia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma refer\u00eancia poss\u00edvel para compreender sua l\u00f3gica \u00e9 o livro <em>Armadilha da identidade<\/em>, de Assad Haider<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>. Ao destrinchar as origens da afirma\u00e7\u00e3o identit\u00e1ria contempor\u00e2nea, Haider retoma movimentos pol\u00edticos da d\u00e9cada de 70 \u2013 justamente a \u00e9poca em que Lacan trazia os alertas sobre a escalada da segrega\u00e7\u00e3o \u00ad\u2013, que demonstraram que os falsos universalismos, inclusive aqueles que orientavam esfor\u00e7os de esquerda, precisariam mergulhar nos meandros das formas de vida para exercerem um real efeito subversivo.<\/p>\n<p>Essa recapitula\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica ensina que os movimentos emancipat\u00f3rios que ressaltam tra\u00e7os de identidade n\u00e3o foram deslanchados por fr\u00edvolas paix\u00f5es narc\u00edsicas, nem por generalidades fraternas e libert\u00e1rias, mas sim como um esfor\u00e7o de transformar enunciados universais meramente discursivos em realidades ontol\u00f3gicas. Eles demonstram, assim, que universais se degradam quando perdem a capacidade de traduzir algo do real que incide sobre aqueles a quem se endere\u00e7am.<\/p>\n<p>Esse tema n\u00e3o \u00e9 estranho \u00e0 psican\u00e1lise. \u00c9 muito conhecido entre n\u00f3s o ensinamento de Freud, formalizado por Lacan, a respeito da exce\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria \u00e0 instaura\u00e7\u00e3o de uma proposi\u00e7\u00e3o universal. A exce\u00e7\u00e3o <em>faz<\/em> a regra, pois existe a necessidade da segrega\u00e7\u00e3o de um \u201cparticular\u201d na instaura\u00e7\u00e3o do \u201ctodo\u201d. A\u00ed est\u00e1 inclu\u00eddo um aspecto \u00e0s vezes menos destacado, ainda que um tanto evidente: existe uma distin\u00e7\u00e3o entre proposi\u00e7\u00f5es universais meramente discursivas e aquelas que efetivamente engajam os corpos falantes.<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a><\/p>\n<p>Dito de outro modo, n\u00e3o basta proferir enunciados discursivos de largo alcance, universais precisam ser encarnados para operar de modo leg\u00edtimo. Esse \u00e9 o desafio inerente ao cen\u00e1rio cultural que destaca identidades e as traz ao centro dos movimentos sociais. Trata-se de uma rea\u00e7\u00e3o l\u00facida \u00e0s incessantes falhas hist\u00f3ricas das proposi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas de car\u00e1ter universal, tais como \u201ctodos s\u00e3o iguais perante a lei\u201d.<\/p>\n<p>Isto dito, passo \u00e0 segunda quest\u00e3o que proponho investigar, a de que seria pertinente aplicar a esses movimentos as elabora\u00e7\u00f5es de Lacan que detectam o acirramento do racismo. O primeiro passo \u00e9 um discernimento fino entre <em>causalidade<\/em> e <em>correla\u00e7\u00e3o<\/em>: movimentos que convivem com um ambiente de intensifica\u00e7\u00e3o do racismo n\u00e3o s\u00e3o, necessariamente, a sua causa, ainda que possam, porventura, adotar posturas beligerantes.<\/p>\n<p>Lacan aponta, de fato, em mais de uma oportunidade, a liga\u00e7\u00e3o entre a escalada da segrega\u00e7\u00e3o e o avan\u00e7o de universalidades, mas a elucida\u00e7\u00e3o desse aparente paradoxo depende da introdu\u00e7\u00e3o de um elemento a mais, ainda n\u00e3o mencionado: o <em>mercado<\/em>. Numa conhecida passagem de 1967, a l\u00f3gica do seu alerta \u00e9 explicitada com mais clareza: \u201cNosso futuro de mercados comuns encontrar\u00e1 seu equil\u00edbrio numa amplia\u00e7\u00e3o cada vez mais dura dos processos de segrega\u00e7\u00e3o\u201d<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a>. Vou recorrer ao desdobramento que Marie-H\u00e9l\u00e8ne Brousse faz desse trecho:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">Essas mudan\u00e7as econ\u00f4micas, pol\u00edticas e t\u00e9cnicas t\u00eam uma orienta\u00e7\u00e3o comum: elas visam ao universal. \u00c9 o caso do capitalismo, mercado \u00fanico, \u00e9 aquele das revolu\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas, que visam uma difus\u00e3o universal, \u00e9 evidentemente aquele da ci\u00eancia, o carro chefe. O momento n\u00e3o conv\u00e9m \u00e0s par\u00f3quias, aos pequenos grupos. N\u00e3o \u00e9 tempo de autarcia.\u00a0 O mundo tende a impor a mesma verdade a todos, como um real.<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a><\/p>\n<p>A escalada da segrega\u00e7\u00e3o se articula, assim, \u00e0 amplia\u00e7\u00e3o dos <em>universais<\/em> na medida em que esses supostos universais s\u00e3o essencialmente desencarnados e artificiais, operados atrav\u00e9s de m\u00e9todos burocr\u00e1ticos, regulat\u00f3rios, virtuais, impositivos e an\u00f4nimos. O acirramento do racismo se deve, assim, muito mais \u00e0 for\u00e7a brutal de um universalismo radicalmente c\u00ednico, imposto por uma vers\u00e3o corrompida do mercado, do que \u00e0 atua\u00e7\u00e3o coletiva daqueles que mal se mant\u00e9m de p\u00e9 no tecido social.<\/p>\n<p>O esclarecimento da l\u00f3gica pol\u00edtica da maior parte desses movimentos n\u00e3o deve impedir, no entanto, o reconhecimento de poss\u00edveis degenera\u00e7\u00f5es. Afinal, qualquer coletivo que se re\u00fane a partir de tra\u00e7os espec\u00edficos convive, de fato, com o risco de produzir uma homogeneidade for\u00e7ada, sufocando varia\u00e7\u00f5es e desencaixes. O foco exacerbado em marcas distintivas pode resultar em um ambiente conflagrado, em que rivalidades e subdivis\u00f5es ganham vida pr\u00f3pria e a rela\u00e7\u00e3o ao Outro se torna essencialmente querelante. Al\u00e9m disso, atua\u00e7\u00f5es centradas apenas na visibilidade e no empoderamento individual tendem a perder sua for\u00e7a subversiva, sendo tragadas com facilidade pela din\u00e2mica mercadol\u00f3gica. Essas s\u00e3o algumas das armadilhas enfrentadas por tais movimentos, que podem, inclusive, inviabilizar o necess\u00e1rio \u201ccaminho de volta\u201d para novos universais.<\/p>\n<p>Para evitar o risco bem frisado por S\u00e9rgio Laia, o de se deixar fascinar pelos movimentos, n\u00e3o h\u00e1 ant\u00eddoto melhor que a proximidade com o que h\u00e1 de vivo neles. Deslocamentos surpreendentes convivem com consequ\u00eancias subjetivas delet\u00e9rias de identifica\u00e7\u00f5es r\u00edgidas; pactos sociais violentos saem da invisibilidade, ao passo que acusa\u00e7\u00f5es desmedidas ati\u00e7am hostilidades.<\/p>\n<p>Trata-se de n\u00e3o se deixar fascinar, mas tamb\u00e9m de n\u00e3o submeter um fen\u00f4meno t\u00e3o vasto a um \u00fanico prisma depreciativo. Para tanto, seria preciso evitar que afirma\u00e7\u00f5es de identidade fossem lidas exclusivamente atrav\u00e9s do paradigma cl\u00e1ssico da constitui\u00e7\u00e3o narc\u00edsica: um <em>eu<\/em> r\u00edgido, refrat\u00e1rio ao estranho, ao inconsciente. Como esclarece Renata Mendon\u00e7a, nesse mesmo Boletim, \u201calgo do imagin\u00e1rio tamb\u00e9m se refere ao para-al\u00e9m do especular, do identitarismo ou do <em>eu.<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a><\/p>\n<p>Gostaria, por fim, de frisar o que me parece o cerne da quest\u00e3o: os manejos das identidades t\u00eam o desafio existencial de encontrar maneiras in\u00e9ditas de enla\u00e7ar <em>singular<\/em>, <em>particular<\/em> e <em>universal<\/em> \u2013 e esse cen\u00e1rio oferece \u00e0 psican\u00e1lise uma oportunidade \u00edmpar de explorar sua relev\u00e2ncia cl\u00ednica e cultural. Para tanto, n\u00e3o bastar\u00e1 usar a experi\u00eancia da <em>n\u00e3o rela\u00e7\u00e3o sexual<\/em> como ferramenta seletiva de deslegitima\u00e7\u00e3o, mas sim, estando por ela orientados, captar de que modos afirma\u00e7\u00f5es particulares podem, por um lado, ser perme\u00e1veis a experi\u00eancias singulares e, por outro, ajudar na recria\u00e7\u00e3o de universais degradados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Laia, S. \u201cA marca do analista\u201d. In<em>: CODA n.04. Boletim do XXV Encontro Brasileiro do Campo Freudiano<\/em>, jul. 2024.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Laurent, \u00c9. \u201cO analista cidad\u00e3o\u201d. In: <em>Revista Curinga<\/em>, n\u00ba 13, 1999, p.7-13.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Uma refer\u00eancia essencial para essa quest\u00e3o, cujo desenvolvimento n\u00e3o caberia aqui, \u00e9 a tr\u00edade \u201ct\u00e1tica, estrat\u00e9gia e pol\u00edtica\u201d, proposta por Lacan em 1958, no artigo \u201cA dire\u00e7\u00e3o da cura e os princ\u00edpios de seu poder\u201d (Lacan, J. 1958\/1998).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Laia, S. \u201cA marca do analista\u201d. In<em>:\u00a0 CODA n.04. Boletim do XXV Encontro Brasileiro do Campo Freudiano<\/em>, jul. 2024.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Haider, A.\u00a0 <em>Armadilha da identidade<\/em>. S\u00e3o Paulo: Veneta (Cole\u00e7\u00e3o Baderna). 2019.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Teixeira, A. \u201cA funda\u00e7\u00e3o violenta do universal\u201d. In:<em> Derivas anal\u00edticas n.03<\/em>. Revista Digital de Psican\u00e1lise e Cultura da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise \u2013 MG. 2015. Dispon\u00edvel em: https:\/\/revistaderivasanaliticas.com.br\/index.php\/universal<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> Lacan, J. \u201cProposi\u00e7\u00e3o de 9 de outubro de 1967 sobre o psicanalista da escola\u201d <em>in<\/em> <em>Outros escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. 1967\/2003.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> Brousse, M.-H. \u201cMarch\u00e9s communs et segregation\u201d In: Mental 13. 2003. Dispon\u00edvel em:<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/sectioncliniquenantes.fr\/lecture\/marches-communs-et-segregation-par-marie-helene-brousse\/\">https:\/\/sectioncliniquenantes.fr\/lecture\/marches-communs-et-segregation-par-marie-helene-brousse\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> Mendon\u00e7a, R. \u201cNa atualidade, o que dizer sobre o Imagin\u00e1rio?\u201d, <em>in Boletim Coda n. 04.<\/em> EBP, jul. 2024.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rodrigo Lyra Carvalho (EBP\/AMP) Os modos prevalentes de identifica\u00e7\u00e3o na cultura s\u00e3o um tema primordial para a psican\u00e1lise. Seja em fun\u00e7\u00e3o dos desafios inerentes \u00e0s suas manifesta\u00e7\u00f5es na cl\u00ednica, seja pelo que revelam sobre os la\u00e7os sociais, as tend\u00eancias da constitui\u00e7\u00e3o das subjetividades convocam nossa reflex\u00e3o. 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