{"id":601,"date":"2024-09-24T17:53:20","date_gmt":"2024-09-24T20:53:20","guid":{"rendered":"https:\/\/encontrobrasileiroebp2024.com.br\/?p=601"},"modified":"2024-11-04T12:08:32","modified_gmt":"2024-11-04T15:08:32","slug":"arte-e-cultura-5","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/encontrobrasileiroebp2024.com.br\/index.php\/2024\/09\/24\/arte-e-cultura-5\/","title":{"rendered":"Arte e Cultura"},"content":{"rendered":"<section class=\"wpb-content-wrapper\">[vc_row][vc_column][vc_column_text]\n<p>Quando, nas reuni\u00f5es de nossa comiss\u00e3o de Arte e Cultura, citamos o nome de Adriana Varej\u00e3o como uma artista que aportaria uma boa discuss\u00e3o para o XXV Encontro Brasileiro, lembrei imediatamente do trabalho que fizemos sobre a obra dela nas XXIV Jornadas da EBP-RJ e do ICP-RJ em 2015. Por sua vez, Cristiana Pittella se lembrou do trabalho feito tamb\u00e9m com essa artista para as XXV Jornadas da EBP-MG em 2021.<\/p>\n<p>Fomos atr\u00e1s desse material e nos deparamos com uma produ\u00e7\u00e3o interessante e atual, que mostra como o trabalho de nossa comunidade de orienta\u00e7\u00e3o lacaniana deixa rastros de transmiss\u00e3o dos quais nos servimos permanentemente em nossa forma\u00e7\u00e3o. Nos deparamos com esses restos de eventos anteriores que, retomados e rearrumados em um novo discurso, se transformam em uma nova montagem, como um movimento de caleidosc\u00f3pio.<\/p>\n<p>Convidamos voc\u00eas a revisitarem conosco esse material, as palavras de nossos queridos colegas, e capturar delas algo que sirva de conex\u00e3o com o que nos causa, assim como depositar entre elas algo da leitura singular de cada um.<\/p>\n<p><em>Isabel do R\u00eago Barros Duarte (EBP\/AMP)<\/em><br \/>\n<em>Coordenadora da Comiss\u00e3o de Arte e Cultura<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<h3><span style=\"color: #000080;\"><strong>Linda do Ros\u00e1rio<\/strong><\/span><\/h3>\n<p><em>Por Stella Maris Jimenez Gordillo<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/em><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>Esta obra, exposta em Inhotim, se diferencia de outras cria\u00e7\u00f5es da arte contempor\u00e2nea no que toca diretamente \u00e0 sensibilidade do p\u00fablico, e mobiliza as mais \u00edntimas quest\u00f5es que perturbam o sujeito em rela\u00e7\u00e3o ao pr\u00f3prio corpo.<\/p>\n<p>Em <em>Linda do Ros\u00e1rio<\/em>, uma surpreendente fratura nos azulejos brancos e brilhantes permite ver seu interior inquietante: v\u00edsceras, sangue e \u00f3rg\u00e3os, remetem o espectador diretamente ao seu corpo real, \u00e0s v\u00edsceras e \u00f3rg\u00e3os desconjuntados que pululam ocultos pelo fr\u00e1gil v\u00e9u da imagem do espelho.<\/p>\n<p>Esta obra rasga o v\u00e9u. De um lado, aponta para a fun\u00e7\u00e3o dos muros que, como os v\u00e9us e as cortinas, assinalam que existe algo oculto atr\u00e1s. Desta maneira, delata que o muro teria que ser uma isca para o olhar do p\u00fablico, o que aqui est\u00e1 sublinhado pelo brilho dos azulejos. Por outro lado, aqui, o que deveria estar oculto est\u00e1 exposto, e as v\u00edsceras separadas do corpo \u201colham\u201d o p\u00fablico, produzindo uma s\u00fabita irrup\u00e7\u00e3o do objeto \u201colhar\u201d.<\/p>\n<p>Adriana Varej\u00e3o denuncia que os semblantes s\u00e3o somente semblantes, como afirma J.-A. Miller em seu texto \u201cO inconsciente e o corpo falante\u201d<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>. Ela denuncia o semblante da boa forma, da perfei\u00e7\u00e3o imaculada, representada nesta obra pela brancura higi\u00eanica, quadriculada e geometricamente disposta dos azulejos. Por tr\u00e1s da boa forma, o real espreita. E ela empresta imagem a esse real, tenta imaginarizar o real, como diria Lacan em seu \u00faltimo ensino. O pr\u00f3prio belo nome, Linda do Ros\u00e1rio, oculta uma trag\u00e9dia: a morte do casal de namorados, esmagados ao colapsar o motel em que escondiam seus amores, protegendo suas fam\u00edlias do desejo que eles julgavam il\u00edcito. A inesperada morte funcionou como o interior sangrento das tripas da sociedade.<\/p>\n<p>O mundo contempor\u00e2neo, com sua obsess\u00e3o por beleza, por obter corpos cada vez mais desej\u00e1veis, n\u00e3o estar\u00e1 traindo que o real do disjecta membra est\u00e1 mais exposto, mais exposto ao olhar do que em \u00e9pocas anteriores, nas quais os semblantes n\u00e3o eram percebidos como tais?<\/p>\n<p>S\u00e3o alguns dos questionamentos que esta instigante obra causa\u2026<\/p>\n<hr \/>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn2\">[1]<\/a> Texto originalmente publicado em 6 de julho de 2015 para o Blog das XXIV Jornadas Cl\u00ednicas da EBP-RJ e do ICP-RJ.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Miller, J-A. \u201cO inconsciente e o corpo falante\u201d. In: <em>Scilicet: O corpo falante \u2013 Sobre o inconsciente no s\u00e9culo XXI.<\/em> S\u00e3o Paulo: EBP, 2016, p. 19-32.[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]\n<h3><span style=\"color: #000080;\"><strong>Coment\u00e1rio sobre \u201cCarne \u00e0 la Taunay\u201d e \u201cCarne \u00e0 moda de Franz Post\u201d<\/strong><\/span><\/h3>\n<p><em>Por Manoel Barros da Motta<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a><\/em><\/p>\n<p>Em \u201cCarne \u00e0 la Taunay\u201d, Adriana Varej\u00e3o destr\u00f3i a placidez da imagem tropical, carioca, com a presen\u00e7a do corpo fragmentado, das v\u00edsceras humanas reduzidas a sua dimens\u00e3o de horror. Beleza contra horror. \u00c9 o que aparece tamb\u00e9m na tela \u201cCarne \u00e0 moda de Franz Post\u201d. As partes do corpo tomam como assento a pr\u00f3pria pintura cl\u00e1ssica, as obras destes pintores europeus que retrataram por um tempo a paisagem brasileira.<\/p>\n<p>Corpo fragmentado, carne sem sujeito, a tela contraria a fun\u00e7\u00e3o de \u201cdompte regard\u201d da pintura. Deparamo-nos com a presen\u00e7a do corpo mortificado, sacrificado, que se imp\u00f5e ao olhar. Estas telas s\u00e3o diferentes das destitui\u00e7\u00f5es do falo das obras de Louise Bourgeois e pr\u00f3ximas das carca\u00e7as de Francis Bacon.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Texto originalmente publicado em 14 de outubro de 2015 para o Blog das XXIV Jornadas Cl\u00ednicas da EBP-RJ e do ICP-RJ.[\/vc_column_text][vc_empty_space][vc_separator color=&#8221;pink&#8221; border_width=&#8221;3&#8243;][vc_empty_space][vc_column_text]Os links a seguir levam a dois v\u00eddeos feitos para as XXV Jornadas da EBP-MG em 2021 sobre o trabalho da artista Adriana Varej\u00e3o:<\/p>\n<p><span class=\"wpex-responsive-media\"><iframe loading=\"lazy\" title=\"ADRIANA VAREJAO CORTE3 1 1\" width=\"980\" height=\"551\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/XiVwi36YnzM?feature=oembed\"  allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/span><\/p>\n<p><span class=\"wpex-responsive-media\"><iframe loading=\"lazy\" title=\"2021 - Conversa com Adriana Varej\u00e3o na 25\u00aa Jornada da EBP-MG.\" width=\"980\" height=\"551\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/e84Q5Gx66lg?feature=oembed\"  allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/span><\/p>\n[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]\n<\/section>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] Quando, nas reuni\u00f5es de nossa comiss\u00e3o de Arte e Cultura, citamos o nome de Adriana Varej\u00e3o como uma artista que aportaria uma boa discuss\u00e3o para o XXV Encontro Brasileiro, lembrei imediatamente do trabalho que fizemos sobre a obra dela nas XXIV Jornadas da EBP-RJ e do ICP-RJ em 2015. 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