{"id":548,"date":"2024-08-27T06:37:37","date_gmt":"2024-08-27T09:37:37","guid":{"rendered":"https:\/\/encontrobrasileiroebp2024.com.br\/?p=548"},"modified":"2024-11-04T12:05:11","modified_gmt":"2024-11-04T15:05:11","slug":"editorial-coda-05","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/encontrobrasileiroebp2024.com.br\/index.php\/2024\/08\/27\/editorial-coda-05\/","title":{"rendered":"EDITORIAL CODA #05"},"content":{"rendered":"<h6>Alessandra Sartorello Pecego (EBP\/AMP)<br \/>\n<em>Coordenadora Geral do XXV EBCF<\/em><\/h6>\n<p><em>Alea jacta est!!! <\/em>Posso dizer isto, de um lan\u00e7amento da sorte, se \u00e9 que ela existe, mas com c\u00e1lculos e com trabalho. Refiro-me \u00e0 sorte de alguns bons encontros com o tema do XXV EBCF: \u201cOs corpos aprisionados pelo discurso &#8230;e seus restos\u201d. Talvez possamos apostar mais no termo \u201cconting\u00eancia\u201d. O encontro contingente que cada um p\u00f4de ter com o trabalho minucioso e questionador das preparat\u00f3rias desse Encontro, onde a transmiss\u00e3o de investiga\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas e epist\u00eamicas abrem novas vertentes a serem exploradas nas mesas de trabalho das jornadas cl\u00ednicas e das plen\u00e1rias em novembro. Trabalho que tem a fun\u00e7\u00e3o de um diapas\u00e3o que mostra o tom, o intervalo, a escala e o acorde de nosso trabalho, e convoca a comunidade anal\u00edtica \u00e0 essa composi\u00e7\u00e3o. O resultado \u00e9 visto no interesse maci\u00e7o de nosso meio, sentido nas intera\u00e7\u00f5es e conversa\u00e7\u00f5es das preparat\u00f3rias, e no fato de estarmos prestes a atingir o n\u00famero m\u00e1ximo de inscritos que o local permite acolher. Sim, temos pouqu\u00edssimas vagas e estamos pr\u00f3ximos a lota\u00e7\u00e3o m\u00e1xima em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Nesse boletim CODA 5, em <em>Eixos Tem\u00e1ticos<\/em>, temos os trabalhos de Mirmila Musse e Ana Tereza de Faria Groisman. Ao discutir o Eixo 3: <em>O real da sexua\u00e7\u00e3o e o dizer da an\u00e1lise<\/em>, Mirmila parte da premissa de que a linguagem funda a sexualidade na medida em que coloca o binarismo de ser homem ou mulher e aponta que, em qualquer tempo o sujeito seguir\u00e1 angustiado com a impossibilidade da rela\u00e7\u00e3o sexual. Temos nesse texto uma orienta\u00e7\u00e3o cl\u00ednica precisa: \u201cocupar a fun\u00e7\u00e3o de analista \u00e9 instalar no corpo, como semblante, aquilo que fala, dando lugar ao que o sujeito inventou para ocupar a impossibilidade de escrever a rela\u00e7\u00e3o sexual\u201d. E aponta para a quest\u00e3o do corpo que goza e de um dizer atrelado a puls\u00e3o. Para discutir o Eixo 4: <em>O corpo \u201cfora do discurso\u201d<\/em>, Ana Tereza marca o abrupto do real e a urg\u00eancia decorrente diante de um \u201cfora de discurso\u201d, por\u00e9m n\u00e3o fora da linguagem, e a possibilidade de advir um dizer que aponte para al\u00e9m do coletivo e da defesa, que aponte para uma rela\u00e7\u00e3o absolutamente singular com o inconsciente e com o corpo. Corpo que na psicose est\u00e1 fora do discurso e na neurose est\u00e1 n\u00e3o-todo no discurso, retornando como acontecimento de corpo, faltoso, entremeando linguagem e carne.<\/p>\n<p>Ao ler com uma lupa os dois trabalhos e tecendo novas quest\u00f5es e aberturas que nos colocaram em debate na segunda preparat\u00f3ria do dia 17 de agosto, Fl\u00e1via Cera encerra suas pontua\u00e7\u00f5es com a seguinte quest\u00e3o: \u201cpoder\u00edamos pensar que o discurso anal\u00edtico seria uma forma de la\u00e7o social que, por incluir um furo no saber, mant\u00e9m vivo o questionamento dos universais que sempre se estabilizam aprisionando os corpos em variadas formas de segrega\u00e7\u00e3o?\u201d E, para mim, durante a discuss\u00e3o desses trabalhos, ressoou a quest\u00e3o do real que \u00e9 nossa baliza e que faz com que o discurso anal\u00edtico possa perdurar.<\/p>\n<p>Em <em>Notas e Tons<\/em>, dois textos: \u201cDo acontecimento de Um-gozo \u00e0 cl\u00ednica acontecimento\u201d e \u201cO corpo n\u00e3o aprisionado pelo discurso\u201d. No primeiro, Eliane Costa Dias toca diretamente a quest\u00e3o dos \u201crestos\u201d<em>, <\/em>significante que est\u00e1 inclu\u00eddo no t\u00edtulo do Encontro quase como uma indica\u00e7\u00e3o de por onde o discurso anal\u00edtico pode operar. Em um texto fundamental e orientador da cl\u00ednica, ela afirma que \u201cse o Um do gozo itera, ele parece estar nos restos, nos pequenos e divinos detalhes deslocados na cena, soltos na fala, apreens\u00edveis na estranheza, no desconforto, na tolice, na equivocidade\u201d. No segundo texto, Bartyra Ribeiro de Castro faz coro com uma pergunta levantada na \u00faltima preparat\u00f3ria: e o autista, como localiz\u00e1-lo no discurso? Onde ele est\u00e1? O texto dialoga com a inquieta\u00e7\u00e3o ao trazer para o debate a hip\u00f3tese de uma <em>a-estrutura<\/em> com a emerg\u00eancia de um S1 sozinho. Ao n\u00e3o assentir ao Outro simb\u00f3lico, o autista n\u00e3o encarna a linguagem e n\u00e3o articula S1 e S2, estando, portanto, fora do discurso. Poder\u00edamos falar de <em>falasser<\/em>? De <em>lal\u00edngua<\/em> sem tradu\u00e7\u00e3o simboliz\u00e1vel? A partir do desenvolvimento de que o Um n\u00e3o se remete ao Outro, novamente, estamos diante de um indicador cl\u00ednico: \u201cvisar a passagem da itera\u00e7\u00e3o \u00e0 repeti\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Em ..<em>.dizeres e suas reverbera\u00e7\u00f5es<\/em>, o leitor encontrar\u00e1 os textos \u201cO feminino em n\u00f3s\u201d e \u201cGuarde os pensamentos sobre o meu corpo para si mesmo!\u201d No primeiro, Cristiane Grillo desenvolve quest\u00f5es sobre o gozo feminino e sobre o uniano do gozo onde a l\u00f3gica demonstra que n\u00e3o s\u00e3o dois sexos mas, sim, Um e seu corpo mediante a inexist\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o sexual. Destaca uma quest\u00e3o contempor\u00e2nea que \u00e9 o abeced\u00e1rio dos g\u00eaneros que n\u00e3o d\u00e3o conta de nomear esse gozo opaco e feminino. No segundo, Veridiana Marucio fala da cl\u00ednica contempor\u00e2nea e seus impasses: de que corpo falamos? o que a psican\u00e1lise nos ensina sobre esse corpo? a rela\u00e7\u00e3o de adora\u00e7\u00e3o permanece em ter um corpo ou ser um corpo? Recorre a Joyce e seu corpo para esse debate. Vale a leitura!<\/p>\n<p>Em <em>Arte e Cultura<\/em>, \u201cNotas sobre Lygia Clark: corpo e fantasma\u201d, texto escrito por Fl\u00e1via Corpas, traz a pergunta \u00edmpar: de que corpo se trata na obra da artista? Ao afirmar n\u00e3o haver separa\u00e7\u00e3o entre sujeito e objeto, a artista prop\u00f5e uma rela\u00e7\u00e3o do espectador-autor com o objeto <em>a-rte<\/em>. Convido o leitor a se arriscar a pensar que uso Clark fez da banda de Moebius.<\/p>\n<p>Eis aqui o tom de nosso quinto boletim. Espero que voc\u00eas tenham a \u201csorte\u201d dessa leitura! E um at\u00e9 breve, aqui em S\u00e3o Paulo, e ainda bem &#8230;com nossos restos<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alessandra Sartorello Pecego (EBP\/AMP) Coordenadora Geral do XXV EBCF Alea jacta est!!! Posso dizer isto, de um lan\u00e7amento da sorte, se \u00e9 que ela existe, mas com c\u00e1lculos e com trabalho. Refiro-me \u00e0 sorte de alguns bons encontros com o tema do XXV EBCF: \u201cOs corpos aprisionados pelo discurso &#8230;e seus restos\u201d. 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