{"id":351,"date":"2024-04-30T07:45:06","date_gmt":"2024-04-30T10:45:06","guid":{"rendered":"https:\/\/encontrobrasileiroebp2024.com.br\/?p=351"},"modified":"2024-11-04T12:00:27","modified_gmt":"2024-11-04T15:00:27","slug":"arte-e-cultura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/encontrobrasileiroebp2024.com.br\/index.php\/2024\/04\/30\/arte-e-cultura\/","title":{"rendered":"Arte e Cultura"},"content":{"rendered":"<h4><strong>Orlan e o franqueamento do real<\/strong><\/h4>\n<h6>Cristiano Alves Pimenta (EBP\/AMP)<\/h6>\n<p>Orlan pretendeu, com sua \u201cArte Carnal\u201d, franquear uma barreira que lhe abrisse a \u201cpossibilidade de tocar o corpo\u201d<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>. O que est\u00e1 em jogo a\u00ed \u00e9 \u201cuma interroga\u00e7\u00e3o do estatuto do corpo, e particularmente do corpo das mulheres\u201d. O meio encontrado por Orlan foi o de colocar em cena, como um objeto de arte, uma s\u00e9rie de opera\u00e7\u00f5es, de cirurgias pl\u00e1sticas em seu pr\u00f3prio corpo, nas quais se v\u00ea a perfura\u00e7\u00e3o da pele e a exposi\u00e7\u00e3o da carne viva. O resultado dessas cirurgias n\u00e3o delimita uma imagem, mas faz uma bricolagem de partes do rosto de v\u00e1rias figuras eminentes das artes pl\u00e1sticas: o nariz da V\u00eanus de Botticelli, a testa da Monalisa, o queixo da Psiqu\u00ea.<\/p>\n<p>O que encontramos no sujeito Orlan diz respeito, justamente, a uma aus\u00eancia de limites frente ao corpo, aus\u00eancia que se traduz em um gozo n\u00e3o delimitado falicamente. Quando Orlan fala de sua performance escandalosa <em>O beijo da artista<\/em>, na qual se lan\u00e7ou a beijar qualquer um que depositasse 5 centavos, ela lembra que \u201cFora de limite\u201d \u201cera justamente o t\u00edtulo da exposi\u00e7\u00e3o a que foi convidada\u201d. Orlan soube tirar proveito, com sua arte, de sua necessidade irresist\u00edvel de acessar o real por detr\u00e1s do belo.<\/p>\n<hr \/>\n<h4><strong>Do corte na tela de Lucio Fontana ao corte no corpo em Orlan<\/strong><\/h4>\n<h6>Musso Greco (EBP\/AMP)<\/h6>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>A obra de Lucio Fontana \u2013 a quem Lacan, voltando de Roma, em 1972, se refere na \u00faltima li\u00e7\u00e3o do <em>Semin\u00e1rio 19<\/em> \u2013 explicita, com sua\u00a0<em>spaccatura,<\/em> a via \u00e0 qual a experi\u00eancia anal\u00edtica pode se filiar diante do discurso do mestre que aprisiona os corpos: a do sujeito na sua fenda, pela interpreta\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica. Outra via \u00e9 a do Real, por meio do equ\u00edvoco e da resson\u00e2ncia, do fora de sentido, e Fontana, com seus cortes e buracos, demonstra em ato essa hi\u00e2ncia incur\u00e1vel, rompendo com a sufici\u00eancia do Mestre e do Saber. Fontana faz cortes no tecido e, assim, sem tirar nem p\u00f4r nada, cria algo novo, um novo espa\u00e7o, que revela um vazio. A cadeia significante para o psicanalista, assim como o tecido para Fontana, \u00e9 o que permite o corte. Se h\u00e1 uma divis\u00e3o no discurso e uma divis\u00e3o fora do discurso, uma an\u00e1lise deve lidar com ambas. Lacan analista se reconheceu muito bem na obra de Fontana, talvez por encontrar no fazer do artista algo do que se produz no ato anal\u00edtico.<\/p>\n<p>Contemporaneamente, seguindo a pr\u00e1tica recomendada por Lacan, em suas \u201cConfer\u00eancias nas Universidades Americanas\u201d (1975), de explicar a Arte pelo sintoma da \u00e9poca \u2013 e n\u00e3o pelo Inconsciente \u2013, encontramos na revista <em>Le Nouvel \u00c2ne<\/em>, de 2008, uma longa entrevista concedida a Jacques-Alain Miller pela artista francesa Orlan, que nos serve aqui para apresentar uma nova vers\u00e3o art\u00edstica do corte, numa resposta sintom\u00e1tica espec\u00edfica. De que maneira o Inconsciente hoje se refere ao corpo? Orlan se tornou not\u00f3ria a partir das suas performances cir\u00fargicas praticadas de 1990 a 1993, mas interessa tamb\u00e9m ao nosso campo por ter se tratado psicanaliticamente e ter criado seu nome art\u00edstico depois desse processo.<\/p>\n<p>Em seu nome de fam\u00edlia, Porte \u2012 seu nome completo \u00e9 Mireille Suzanne Francette Porte \u2012, ela encontrou a \u201cMorte\u201d a partir da interpreta\u00e7\u00e3o que fez de uma interven\u00e7\u00e3o do analista sobre seu pagamento com cheque. E resolveu renascer como Orlan. Esse novo nome, como j\u00e1 apontou Gilson Iannini, em uma discuss\u00e3o no Cartel \u201cPsican\u00e1lise e Arte\u201d da EBP, em 2005, guarda uma homofonia interessante com <em>hors<\/em> + <em>l\u2019un<\/em>, que remete ao <em>hors de l\u2019Un<\/em>, ou \u201cfora do Um\u201d, do Um como un\u00e1rio, tra\u00e7o na rela\u00e7\u00e3o da s\u00e9rie dos n\u00fameros inteiros, do registro do numer\u00e1vel, que se suporta na identifica\u00e7\u00e3o. Esse \u201cfora\u201d remeteria, ent\u00e3o, ao Um do \u201c<em>y\u2019a de l\u2019Un<\/em>\u201d (\u201ch\u00e1 Um\u201d) de Lacan, o uniano, avesso da repeti\u00e7\u00e3o e da s\u00e9rie, n\u00e3o numer\u00e1vel, que \u00e9 o \u201cUm-todo-s\u00f3\u201d (<em>Un-tout-seul<\/em>) revelado a partir do real do n\u00famero, que n\u00e3o faz la\u00e7o, que n\u00e3o se conjuga ao Outro. H\u00e1, por outro lado, um car\u00e1ter \u201cfora do sexo\u201d, nem masculino, nem feminino, nesse nome pr\u00f3prio que \u00e9 tamb\u00e9m um neologismo \u2013 fora, portanto, do alcance dos jogos simb\u00f3licos \u2013 e que guarda certa proximidade fon\u00e9tica com Horla, personagem fant\u00e1stica de Guy de Maupassant, que representa a ideia extima (do intimamente fora) do <em>unheimlich<\/em> de Freud. H\u00e1 quem diga, no entanto, que Orlan n\u00e3o passa de uma alitera\u00e7\u00e3o de \u201cOrlon\u201d, nome de uma fibra t\u00eaxtil sint\u00e9tica \u2013 sem sentido, portanto.<\/p>\n<p>Foi a partir da leitura de um livro de Eug\u00e9nie Lemoine-Luccioni, <em>La Robe<\/em>, de 1983, que Orlan colocou em pr\u00e1tica suas performances-cirurgias: \u201cEnquanto lia o texto de uma psicanalista lacaniana, a ideia de ir do texto ao ato me ocorreu (da leitura \u00e0 passagem ao ato)\u201d<em>.<\/em> O trecho espec\u00edfico que desencadeou essa incomum \u201cpassagem ao ato\u201d art\u00edstico-cir\u00fargica se refere \u00e0 pele como algo \u201cdecepcionante\u201d, que se \u201crasga, se separa, se corta para engendrar\u201d, e que o homem \u201cquer mudar de pele\u201d devido a \u201cum excesso\u201d decorrente da n\u00e3o coincid\u00eancia entre o ter e o ser. Lemoine-Luccioni afirma assim que a pele \u00e9 interface na rela\u00e7\u00e3o do eu com o mundo, e Orlan leva \u00e0 literalidade a interpreta\u00e7\u00e3o do car\u00e1ter osm\u00f3tico, fino e permut\u00e1vel entre o ser e a apar\u00eancia, que culmina na implementa\u00e7\u00e3o de um teatro, onde ficam indistintos os limites entre interno\/externo, vis\u00edvel\/invis\u00edvel, eu\/n\u00e3o-eu, eu\/outro, eu\/mundo, privado\/p\u00fablico, fantasia\/realidade, consciente\/inconsciente, corpo pr\u00f3prio\/objeto de arte, cena\/cen\u00e1rio, sujeito\/objeto. Sua pele se torna o retrato absoluto que remete a si mesmo e n\u00e3o ao objeto porventura retratado, mediando essa articula\u00e7\u00e3o problem\u00e1tica como suporte de um <em>self-portrait<\/em>, fora do corpo, mas ainda <em>self.<\/em><\/p>\n<p>A \u201cpassagem ao ato\u201d assumida por Orlan tamb\u00e9m merece considera\u00e7\u00f5es referentes a certos rumos da arte contempor\u00e2nea, em rela\u00e7\u00e3o ao estatuto do objeto e do Outro, tal como os entendemos em Psican\u00e1lise. Orlan formula uma arte mestra e libert\u00e1ria que luta contra a tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3, os ditados aprior\u00edsticos, os padr\u00f5es de beleza feminina veiculados pela cirurgia est\u00e9tica, o machismo, as press\u00f5es sociais sobre o corpo e sobre as obras de arte, enfim, tudo que vem do Outro como discurso e pede submiss\u00e3o. Como num del\u00edrio, o percurso art\u00edstico de Orlan denuncia um limite intranspon\u00edvel no Simb\u00f3lico e apresenta o que h\u00e1 de mais real no corpo (uma figura\u00e7\u00e3o do objeto <em>a<\/em> de Lacan), para criar um novo universo de signos, uma nova ordem no campo da Arte, \u201cCarnal\u201d<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>, numa forma de supl\u00eancia que transmite um estranho \u00eaxtase do vazio.<\/p>\n<p>Seu objetivo \u00e9 atingir o que ela chama de um \u201cnovo Est\u00e1dio do Espelho\u201d. Se o paciente, no ato cir\u00fargico, se reduz provisoriamente \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de objeto, na performance cir\u00fargica de Orlan, o paciente desmistifica o ato cir\u00fargico, j\u00e1 que o artista muda seu corpo como sujeito da a\u00e7\u00e3o, em posi\u00e7\u00e3o de se servir da maestria da Ci\u00eancia para questionar a pr\u00f3pria Ci\u00eancia. Estrangeira em si mesma, Orlan cria as condi\u00e7\u00f5es para que seu <em>eu-(a)-artista<\/em>, marcado pela presen\u00e7a do Olhar do Outro nas exposi\u00e7\u00f5es e nas transmiss\u00f5es de v\u00eddeo, se confronte com sua metamorfose, seu <em>eu-(a\u2019)-obra de arte<\/em>, \u00e0 maneira de um espelho ou do esquema L de Lacan, para a realiza\u00e7\u00e3o de um encontro jubilat\u00f3rio de autorreconhecimento, fundado em uma libidiniza\u00e7\u00e3o do org\u00e2nico. Evidentemente, esse jogo imagin\u00e1rio demanda um contorno simb\u00f3lico para seu sucesso narc\u00edsico, e da\u00ed decorre a import\u00e2ncia de um novo discurso em torno da obra (manifestos, autobiografia po\u00e9tica, <em>web site<\/em>, textos acad\u00eamicos sobre sua produ\u00e7\u00e3o) para a constru\u00e7\u00e3o do eu\/nome\/corpo\/obra <em>Orlan.<\/em><\/p>\n<p>Orlan pretende transformar o corpo em l\u00edngua, invertendo o princ\u00edpio crist\u00e3o do Verbo que se faz carne, para a \u201ccarne que se faz Verbo\u201d. Em rela\u00e7\u00e3o a esse corpo que se quer transmutado, h\u00e1 algo que resiste, para al\u00e9m da imagem ou do s\u00edmbolo, como Eco (a pura voz descarnada) no mito de Narciso. \u201cS\u00f3 a voz de Orlan restar\u00e1 inalterada\u201d, profetiza a artista, anunciando um desvestimento da carne que destacar\u00e1, ao fim de um processo pr\u00f3ximo \u00e0 lapida\u00e7\u00e3o, o puro objeto vocal despelado de imagens e significantes. A extra\u00e7\u00e3o da voz real: ser\u00e1 este o objeto visado por Orlan em seus \u201cataques sublimados\u201d \u00e0 pr\u00f3pria imagem e \u00e0 pr\u00f3pria carne? Suporte da palavra e insepar\u00e1vel da fona\u00e7\u00e3o, a voz \u00e9 um dos objetos <em>a <\/em>listados por Lacan e, inapreens\u00edvel no espelho, constitui o \u201cforro\u201d (mas n\u00e3o o avesso) do pr\u00f3prio sujeito tomado por sujeito da consci\u00eancia, resultando de separa\u00e7\u00f5es prim\u00e1rias dos objetos maternos, como efeitos de cortes de gozo sobre o corpo, marcando o que chamamos de zonas er\u00f3genas. As incis\u00f5es cir\u00fargicas da \u201cArte Carnal\u201d materializam esse processo de forma met\u00f3dica em cada incis\u00e3o, hemostasia, rebatimento e sutura, tornando os registros borromeanos quase palp\u00e1veis, e realizando, na Arte, o imposs\u00edvel autorretrato do gozo.<\/p>\n<hr \/>\n<h6><strong><em>Anexos:<\/em><\/strong><\/h6>\n<h6>1- V\u00eddeo realizado a partir de imagens escolhidas e recortadas por Musso Greco do site da artista <a href=\"http:\/\/www.orlan.eu\/\">www.orlan.eu\/<\/a> :\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=5kqeBMVPI5w\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=5kqeBMVPI5w<\/a><\/h6>\n<h6>2- Conversa\u00e7\u00e3o de Jacques-Alain Miller com Orlan: <a href=\"https:\/\/elp.org.es\/impone-tu-oportunidad-atrapa-tu-1\/\">https:\/\/elp.org.es\/impone-tu-oportunidad-atrapa-tu-1\/<\/a><\/h6>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Entrevista a Orlan por Jacques-Alain Miller. \u201cInicia\u00e7\u00e3o aos mist\u00e9rios de Orlan\u201d. <em>Revista<\/em> <em>Enlaces<\/em>; ano 11, n. 14, 2009. Buenos Aires; p. 159.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Orlan \u00e9 conhecida pelas incurs\u00f5es no que ela denominou de \u201cArte Carnal\u201d (Art Charnel, Carnal Art). O <em>Manifesto da Arte Carnal<\/em> e todas as suas obras podem ser vistos no site: <a href=\"http:\/\/www.orlan.net\">www.orlan.net<\/a><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Orlan e o franqueamento do real Cristiano Alves Pimenta (EBP\/AMP) Orlan pretendeu, com sua \u201cArte Carnal\u201d, franquear uma barreira que lhe abrisse a \u201cpossibilidade de tocar o corpo\u201d[1]. O que est\u00e1 em jogo a\u00ed \u00e9 \u201cuma interroga\u00e7\u00e3o do estatuto do corpo, e particularmente do corpo das mulheres\u201d. 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