{"id":551,"date":"2024-08-27T06:41:44","date_gmt":"2024-08-27T09:41:44","guid":{"rendered":"https:\/\/encontrobrasileiroebp2024.com.br\/?page_id=551"},"modified":"2024-11-04T12:05:26","modified_gmt":"2024-11-04T15:05:26","slug":"eixo-3-o-real-da-sexuacao-e-o-dizer-da-analise","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/encontrobrasileiroebp2024.com.br\/index.php\/o-encontro\/eixos-tematicos\/eixo-3-o-real-da-sexuacao-e-o-dizer-da-analise\/","title":{"rendered":"Eixo 3: O real da sexua\u00e7\u00e3o e o dizer da an\u00e1lise"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"wpex-text-sm\">Mirmila Alves Musse (EBP\/AMP)<\/span><br \/>\n<em><span class=\"wpex-text-sm\">Coordenadora da Comiss\u00e3o Cient\u00edfica <\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">Por longo tempo, falei sobre o hiato entre o corpo e a mente. [&#8230;] Qual o momento em que o corpo entra na mente, ou a mente entra no corpo? N\u00e3o sei, estava obcecado. Como? [&#8230;] Como um fato biol\u00f3gico torna-se espiritual? De que forma h\u00e1 um compartilhamento entre corpo e mente? [&#8230;] Eu tinha sido levado a pensar nisso, observando que a biologia considera que essas ondas est\u00e3o no c\u00e9rebro; fui levado a pensar que o pensamento, ou a intelig\u00eancia, era uma esp\u00e9cie de onda projetada, uma onda direcionada para fora, mas a linguagem [&#8230;]\n<p>Este fragmento \u00e9 parte de uma apresenta\u00e7\u00e3o de paciente realizada por Lacan em 1976<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>. Seguindo a pista dessa entrevista, inferimos pelo paciente que a linguagem faz barreira em atestar que biologia e a ci\u00eancia justificam o hiato entre mente e corpo.<\/p>\n<p>A linguagem enquanto discurso instaura o la\u00e7o social, e isso \u00e9 semblante. O dito \u00e9 outra coisa: ele funda um fato e, se quisermos, todos os fatos. \u00c9 a fun\u00e7\u00e3o da fala, n\u00e3o ela em si, que permite acessar o inconsciente. A linguagem \u00e9 uma estrutura l\u00f3gica e falar dela por ela mesma \u00e9 metalinguagem, ou seja, fic\u00e7\u00e3o. Lacan desloca esse significante: a linguagem como meta \u00e9 efeito da sexualidade. Ele se pergunta: \u201cSer\u00e1 que o ser falante \u00e9 falante por causa de alguma coisa que sucede com a sexualidade, ou ser\u00e1 que essa alguma coisa sucede com a sexualidade porque ele \u00e9 o ser falante?\u201d<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>. A linguagem funda a sexualidade na medida em que coloca a problem\u00e1tica no binarismo do que \u00e9 ser homem ou mulher.<\/p>\n<p>Os valores sexuais sociais determinam, n\u00e3o importa em que tempo, o que \u00e9 ser homem ou mulher com atributos aceitos por uma l\u00edngua, mas que podem ou n\u00e3o serem aceitos pelo sujeito. Esses valores designam um modo de gozo universal baseando-se na diferen\u00e7a bin\u00e1ria da sexualidade. Por outro lado, o discurso do mestre, seja na \u00e9poca do patriarcado, seja atualmente, sempre negou e negar\u00e1 o inconsciente. Essa \u00e9 a base do discurso do mestre. Por isso, tamb\u00e9m n\u00e3o importa a que tempo, haver\u00e1 sempre um mal-estar do sujeito que continuar\u00e1 se angustiando com o imposs\u00edvel da rela\u00e7\u00e3o sexual.<\/p>\n<p>S\u00e3o os semblantes e a inscri\u00e7\u00e3o de um discurso que abrigam um gozo para todos que est\u00e3o em xeque nesse momento. Poder\u00edamos dizer que o decl\u00ednio de um ideal universal \u00e9 respons\u00e1vel pela \u201ccrise do binarismo\u201d<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>? Ou o binarismo ainda \u00e9 a l\u00f3gica que sustenta esse discurso? Os sintomas contempor\u00e2neos continuam signos da n\u00e3o rela\u00e7\u00e3o sexual? Ou ainda, como questiona Miller na entrevista com \u00c9ric Marty sobre o livro <em>Les sexes des modernos<\/em><a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>, o significante g\u00eanero substituir\u00e1 o significante sexo?<\/p>\n<p>O futuro n\u00e3o ser\u00e1 cor-de-rosa, diz Lacan, assim como o do patriarcado tamb\u00e9m n\u00e3o foi, pois sempre haver\u00e1 quem assombre a fam\u00edlia. Se n\u00e3o \u00e9 mais o pai, \u201c[&#8230;] vai-se encontrar coisa melhor\u201d<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>. Nesse momento de evapora\u00e7\u00e3o do pai, Miller<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a> descreve tr\u00eas posi\u00e7\u00f5es do analista: os fundamentalistas que acreditam no simb\u00f3lico da tradi\u00e7\u00e3o; os parasitas que consolidam um ref\u00fagio imagin\u00e1rio; e os progressistas com a cren\u00e7a e a ades\u00e3o ao real da ci\u00eancia. Respectivamente, os tr\u00eas tentam reconstruir a \u201cinconsist\u00eancia do papai\u201d; a convic\u00e7\u00e3o de que nada aconteceu e que o inconsciente \u00e9 eterno; e os que tentam \u201carregimentar a psican\u00e1lise conforme o real da ci\u00eancia\u201d. H\u00e1 uma quarta posi\u00e7\u00e3o: avalizar a enuncia\u00e7\u00e3o do sujeito, questionando o efeito da estrutura do discurso. J\u00e1 que o que se fala n\u00e3o \u00e9 o sentido, a verdade ou o enredo, ocupar a fun\u00e7\u00e3o de analista \u00e9 instalar no corpo, como semblante, aquilo que fala, dando lugar ao que o sujeito inventou para ocupar a impossibilidade de escrever a rela\u00e7\u00e3o sexual. A linguagem poderia ser descrita como Chico Buarque descreve seu \u00faltimo livro: \u201cum papel de parede reproduzindo o que ele ao mesmo tempo esconde\u201d<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>***<\/strong><\/p>\n<p>Com o Complexo de \u00c9dipo, Freud prop\u00f5e uma ordem simb\u00f3lica a partir do mito determinante de como cada sujeito escolhe uma identifica\u00e7\u00e3o sexual. Lacan, em 1958, retoma a l\u00f3gica bin\u00e1ria freudiana e conceitua a sexua\u00e7\u00e3o. Tanto do lado masculino quanto feminino, a diferen\u00e7a n\u00e3o \u00e9 anat\u00f4mica, mas baseada na l\u00f3gica da presen\u00e7a\/aus\u00eancia do falo e da significa\u00e7\u00e3o f\u00e1lica. Ter ou ser o falo sup\u00f5e simbolicamente o universal da castra\u00e7\u00e3o. Por outro lado, a psican\u00e1lise nunca estabeleceu uma simetria entre os sexos. Pelo contr\u00e1rio, o descompasso do corpo com a sexualidade faz a psican\u00e1lise existir.<\/p>\n<p>A tr\u00edade dos semin\u00e1rios 18, 19 e 20 formaliza a sexua\u00e7\u00e3o pela l\u00f3gica do gozo e faz o binarismo deixar de existir<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a>. A l\u00f3gica de uma programa\u00e7\u00e3o do gozo indetermina os significantes \u201chomem\u201d e \u201cmulher\u201d e a linguagem n\u00e3o assegura sua exist\u00eancia \u2013 isso \u00e9 proibido por sua pr\u00f3pria estrutura. Mesmo nos banhando nela, \u00e9 o real que comanda a fun\u00e7\u00e3o da signific\u00e2ncia<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a>. A impossibilidade da sexua\u00e7\u00e3o se faz no lugar da falta de signific\u00e2ncia, \u00e9 ali que o gozo perturba, fisga, aprisiona e parasita o corpo. Se h\u00e1 corpo, h\u00e1 gozo; se h\u00e1 um dizer \u00e9 porque a puls\u00e3o permite que esse dizer seja sentido no corpo como um eco<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a>.<\/p>\n<p>O gozo do corpo fala quando se fala. A linguagem funciona, \u201cdesde a origem, como suplente do gozo sexual. Atrav\u00e9s disso ela ordena a intromiss\u00e3o do gozo na repeti\u00e7\u00e3o corporal\u201d<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a>. Se quisermos saber a diferen\u00e7a entre ser homem ou mulher n\u00e3o devemos procurar no sexo, nem na linguagem, mas no gozo. Por isso, para a psican\u00e1lise, n\u00e3o existe segundo sexo<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>***<\/strong><\/p>\n<p>Com o decl\u00ednio da fun\u00e7\u00e3o paterna, cada ser falante incorpora a exce\u00e7\u00e3o daquilo que em outros tempos universalizaria o gozo. Se a concep\u00e7\u00e3o de \u201cg\u00eanero\u201d na atualidade questiona a l\u00f3gica bin\u00e1ria, \u00e9 a posi\u00e7\u00e3o feminina que faz essa quest\u00e3o para psican\u00e1lise, por ser tamb\u00e9m estruturada pela l\u00f3gica da exce\u00e7\u00e3o. Por exceder \u00e0 medida f\u00e1lica, o feminino faz obje\u00e7\u00e3o ao binarismo do falo e da castra\u00e7\u00e3o que operaria, como met\u00e1fora, a diferen\u00e7a sexual.<\/p>\n<p>Na apresenta\u00e7\u00e3o de um paciente antes referida, depois de fazer refer\u00eancia \u00e0 maquiagem de uma das mulheres que estavam na plateia, Lacan pergunta:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">&#8211; Voc\u00ea algum dia j\u00e1 se maquiou?<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">&#8211; Sim, aconteceu de eu ter me maquiado. Aconteceu quando tinha 19 anos, porque tinha a impress\u00e3o de que o sexo encolhia e, ao mesmo tempo, desejava saber como era uma mulher, tentava entrar no mundo de uma mulher. Na psicologia de uma mulher, na formula\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica e intelectual de uma mulher. Era uma esperan\u00e7a e uma experi\u00eancia. [&#8230;] \u00c9 na esperan\u00e7a de que fosse experi\u00eancia.<\/p>\n<p>O paciente sabe que seu sexo nada lhe garante sobre sua posi\u00e7\u00e3o sexual. Ele recorre ao que nos tempos idos era signo do feminino, na esperan\u00e7a de acessar o mundo da mulher.<\/p>\n<p>A l\u00f3gica feminina marca a impossibilidade de fazer com que o Outro seja um orientador determinante da sexua\u00e7\u00e3o do <em>Um<\/em>, porque n\u00e3o se deixa, toda ela, ser capturada pelo significante. O <em>Um<\/em> \u00e9 a diferen\u00e7a absoluta, n\u00e3o aceita um atributo, uma classe, um predicado, e n\u00e3o cr\u00ea tanto assim no semblante. O <em>Um<\/em> \u00e9 como Miller nomeia o gozo verdadeiro no curso <em>O Um Sozinho<\/em>. Nesse sentido, Lacan dir\u00e1 que o ser sexuado, assim como o analista, \u201cn\u00e3o se autoriza sen\u00e3o de si mesmo&#8230; E de alguns outros.\u201d<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a><\/p>\n<p>Ou seja, n\u00e3o \u00e9 porque o discurso contempor\u00e2neo n\u00e3o acredita mais no Outro que a sexua\u00e7\u00e3o passou a corresponder a uma modalidade de gozo. A psican\u00e1lise tamb\u00e9m nunca acreditou que esse Outro poderia responder a diferen\u00e7a sexual: \u201cO Outro s\u00f3 se apresenta para o sujeito em uma forma a-sexuada\u201d<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a>. Se n\u00e3o h\u00e1 Outro para situar o gozo, ele passa a ser o pr\u00f3prio corpo.<\/p>\n<p>O <em>Um<\/em> \u00e9 o orientador da investiga\u00e7\u00e3o cl\u00ednica na medida em que determina a diferen\u00e7a absoluta da sexua\u00e7\u00e3o. \u00c9 a programa\u00e7\u00e3o de gozo que vai sustentar a diferen\u00e7a sexual, na tens\u00e3o entre o real da sexua\u00e7\u00e3o e o dizer em an\u00e1lise. Miller afirma que o Semin\u00e1rio 19 \u00e9 \u201cO pensamento radical do <em>Um-dividualismo <\/em>moderno. A tentativa de um discurso que partiria do real&#8221;<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\">[15]<\/a>. Esse termo re\u00fane o gozo do <em>Um<\/em> e o significante \u201cindiv\u00edduo\u201d, caracterizado por uma estrutura de pensamento indivis\u00edvel e determinado pela certeza de um dizer. O <em>Um-dividualismo<\/em> parece ser uma quest\u00e3o mais para o analista do que para o paciente: a certeza de \u201cse dizer\u201d identificado a um sexo fecha as portas para qualquer dial\u00e9tica e divis\u00e3o subjetiva na l\u00f3gica discursiva. Como o analista acolhe e maneja o discurso da certeza? Como ele toma o gozo como orientador da interpreta\u00e7\u00e3o? Mais uma vez estamos diante da interpreta\u00e7\u00e3o e suas implica\u00e7\u00f5es sem efeito na l\u00f3gica discursiva.<\/p>\n<p>Alguns v\u00eddeos do canal <em>Lacan Web TV,<\/em> no YouTube, se dedicam a pensar o <em>Um-dividualismo<\/em> e abordam a diferen\u00e7a entre o particular e o singular. O primeiro, mesmo determinado por uma certeza, permite fazer la\u00e7o, reconhecendo uma semelhan\u00e7a (mesmo que imagin\u00e1ria) em certo tra\u00e7o de gozo. H\u00e1 um S<sub>1<\/sub> comum que agrupa coletivos, pede reconhecimento do Outro ao mesmo tempo que exclui o diferente. J\u00e1 o gozo do lado do singular organiza a exist\u00eancia do sujeito em seu sintoma, em sua fantasia e em sua diferen\u00e7a absoluta.<\/p>\n<p>Com isso, voltamos sempre ao mesmo lugar, <em>en-core e en corps<\/em>, de novo no corpo. A identidade n\u00e3o \u00e9 um conceito para a psican\u00e1lise, mas \u00e9 determinante, mesmo que imaginariamente, para aquele que chega ao consult\u00f3rio. Como o analista pode ser d\u00f3cil ao discurso e manejar essa fixidez do gozo? Como localizar o gozo imagin\u00e1rio que se apresenta associado \u00e0 imagem corporal nas quest\u00f5es do sexo? Nas performances das imagens que velam e se fazem velar? No gozo da fala\u00e7\u00e3o do simb\u00f3lico que introduz o vazio e opera a fala? E no real, que retorna no corpo<a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\">[16]<\/a>?<\/p>\n<p>A nomea\u00e7\u00e3o de uma escolha sexual \u00e9 acompanhada de um predicado ou adjetivo: um homem feminino; um homem hetero-macho; uma mulher empoderada; a necessidade de se afirmar sexualmente em um lugar de pertencimento; o come\u00e7o da vida sexual; a rela\u00e7\u00e3o t\u00f3xica etc. Como esvaziar os sentidos do discurso para se chegar em uma nomea\u00e7\u00e3o? Como diz Carlos Drummond de Andrade: \u201cSe ficar indeciso entre dois adjetivos, jogue fora ambos, e use o substantivo\u201d<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\">[17]<\/a>. O predicado que o sujeito acopla \u00e0 sua exist\u00eancia, a seu des-ser, s\u00f3 nos interessa na medida em que se apresenta como estrutura de um discurso para revelar um modo de gozo.<\/p>\n<p>Como o analista maneja e quais impasses ele encontra nessa passagem do particular para o singular? Quais arranjos poss\u00edveis o sujeito encontra para se nomear um ser sexuado? Como localizar o objeto na fun\u00e7\u00e3o de obturar o gozo que o vazio implica? E para fazer ou n\u00e3o la\u00e7o social? Como esse tra\u00e7o de gozo no discurso da identidade \u00e9 determinante para a escolha de um analista? E como manej\u00e1-lo? O que o analista pode fazer com isso? Como sair da demanda do reconhecimento social das comunidades de gozo para o singular da diferen\u00e7a absoluta? Como o gozo, condensador do objeto <em>a<\/em>, enoda os registros real, imagin\u00e1rio e simb\u00f3lico?<\/p>\n<hr \/>\n<h6><span class=\"wpex-text-sm\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Lacan, J. Uma psicose lacaniana: entrevista conduzida por Jacques Lacan. <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana, Revista Brasileira Internacional de Psican\u00e1lise<\/em>, S\u00e3o Paulo, n. 26\/27, p. 8, 2020.<\/span><\/h6>\n<h6><span class=\"wpex-text-sm\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Lacan, J. <em>O semin\u00e1rio<\/em>, livro 19: <em>&#8230; ou pior<\/em>. (1971-1972) Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2012. p. 93.<\/span><\/h6>\n<h6><span class=\"wpex-text-sm\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Fajnwacks, F. Eros\u00e3o do binarismo e ascens\u00e3o do fluido. In: FAJNWAKS, F. <em>Despatologizar o sujeito trans e outros ensaios lacanianos<\/em>. Belo Horizonte: Scriptum, 2023. p. 52.<\/span><\/h6>\n<h6><span class=\"wpex-text-sm\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Miller, J-A. Entrevista* sobre Le sexe des Modernes. Dispon\u00edvel em:<\/span><\/h6>\n<h6><span class=\"wpex-text-sm\"><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Lacan, 1971-1972\/2012, <em>op. cit.<\/em>, p. 200.<\/span><\/h6>\n<h6><span class=\"wpex-text-sm\"><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Miller, J.-A. Uma fantasia. Dispon\u00edvel em: https:\/\/2012.congresoamp.com\/pt\/template.php?file=Textos\/Conferencia-de-Jacques-Alain-Miller-en-Comandatuba.html<\/span><\/h6>\n<h6><span class=\"wpex-text-sm\"><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> Buarque, C. <em>B<\/em><em>ambino a Roma<\/em>: fic\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2024. P.81<\/span><\/h6>\n<h6><span class=\"wpex-text-sm\"><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> Bassols, M. Fundamentos da sexua\u00e7\u00e3o em Lacan. <em>Latusa<\/em>, EBP \u2013 Se\u00e7\u00e3o Rio, n. 26, 2022.<\/span><\/h6>\n<h6><span class=\"wpex-text-sm\"><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> Lacan, 1971-1972\/2012, op. cit., p. 29.<\/span><\/h6>\n<h6><span class=\"wpex-text-sm\"><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> Lacan, J. <em>O semin\u00e1rio<\/em>, livro 23: <em>O sinthoma<\/em>. (1975-1976) Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2005. p. 18.<\/span><\/h6>\n<h6><span class=\"wpex-text-sm\"><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> Lacan, 1971-1972\/2012, op. cit., p. 42.<\/span><\/h6>\n<h6><span class=\"wpex-text-sm\"><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a> Lacan conta sobre sua discord\u00e2ncia com Simone de Beauvoir no Semin\u00e1rio 19, p. 93.<\/span><\/h6>\n<h6><span class=\"wpex-text-sm\"><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a> Lacan, J. <em>O semin\u00e1rio<\/em>, livro 21: <em>L\u2019insu que sait de l\u2019une-b\u00e9vue s\u2019aile \u00e0 mourre<\/em>. Aula de 9 de abril de 74. In\u00e9dito.<\/span><\/h6>\n<h6><span class=\"wpex-text-sm\"><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a> Lacan, J. <em>O semin\u00e1rio<\/em>, livro 20: <em>Mais, ainda<\/em>. (1972-1973) Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1985. p. 135.<\/span><\/h6>\n<h6><span class=\"wpex-text-sm\"><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a> Lacan, 1971-1972\/2012, <em>op. cit<\/em>., texto da contracapa.<\/span><\/h6>\n<h6><span class=\"wpex-text-sm\"><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[16]<\/a> Miller, J.-A. As pris\u00f5es do gozo. <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana, Revista Brasileira Internacional de Psican\u00e1lise<\/em>, S\u00e3o Paulo, n. 54, p. 13-26, 2009.<\/span><\/h6>\n<h6><span class=\"wpex-text-sm\"><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\">[17]<\/a> Andrade, C. D. A um jovem. <em>In: <\/em>ANDRADE, C. D. <em>A bolsa &amp; a vida: cr\u00f4nicas. Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1962. p. 117.<\/em><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mirmila Alves Musse (EBP\/AMP) Coordenadora da Comiss\u00e3o Cient\u00edfica Por longo tempo, falei sobre o hiato entre o corpo e a mente. [&#8230;] Qual o momento em que o corpo entra na mente, ou a mente entra no corpo? N\u00e3o sei, estava obcecado. Como? [&#8230;] Como um fato biol\u00f3gico torna-se espiritual? 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