{"id":428,"date":"2024-05-31T06:51:19","date_gmt":"2024-05-31T09:51:19","guid":{"rendered":"https:\/\/encontrobrasileiroebp2024.com.br\/?page_id=428"},"modified":"2024-05-31T06:52:13","modified_gmt":"2024-05-31T09:52:13","slug":"comentarios-dos-eixos-1-e-2","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/encontrobrasileiroebp2024.com.br\/index.php\/o-encontro\/eixos-tematicos\/comentarios-dos-eixos-1-e-2\/","title":{"rendered":"Coment\u00e1rios dos eixos 1 e 2"},"content":{"rendered":"<section class=\"wpb-content-wrapper\">[vc_row][vc_column][vc_column_text]\n<h6>R\u00f4mulo Ferreira da Silva (AME da EBP\/AMP)<br \/>\n<em>Coordenador Geral do XXV EBCF<\/em><\/h6>\n<p>Bom dia! Muito bom estar aqui, em Salvador<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>, na companhia de colegas e amigos da EBP para essa atividade t\u00e3o bem acolhida pela Se\u00e7\u00e3o Bahia, principalmente por seu diretor geral, Luiz Felipe Monteiro.<\/p>\n<p>Vou logo para a minha fun\u00e7\u00e3o de animar essa atividade com quest\u00f5es para nossos apresentadores, Luiz Fernando Carrijo e Marcelo Veras. Eles est\u00e3o aqui, representando a Comiss\u00e3o Cient\u00edfica do Encontro, portanto, toda a comiss\u00e3o est\u00e1 concernida no que foi apresentado e, certamente, \u00e1vida para entrar na conversa.<\/p>\n<p>Como vimos, os eixos 1 e 2 s\u00e3o bem articulados entre si, tanto no que se pode ler em seus argumentos, como no que acabamos de escutar.<\/p>\n<p>As quest\u00f5es que me surgiram foram suscitadas, primeiramente, pela leitura que fiz do texto do eixo 1. Por\u00e9m, logo em seguida, ficou claro que elas se colocavam tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o ao texto do eixo 2.<\/p>\n<p>Luiz Fernando faz uma retomada no ensino de Lacan com a abordagem do <em>corpo forma<\/em> e do <em>corpo libidinal<\/em> e aponta para uma nuance: a passagem do imagin\u00e1rio do corpo \u00e0 proposi\u00e7\u00e3o \u201co corpo \u00e9 o imagin\u00e1rio\u201d. Ser\u00e1 que voc\u00ea poderia precisar ainda mais a import\u00e2ncia dessa passagem, principalmente, no que ela revela da rela\u00e7\u00e3o direta com o real do gozo? Me parece que essa formula\u00e7\u00e3o se sustenta de forma mais expl\u00edcita a partir do novo estatuto do imagin\u00e1rio reafirmado por Lacan no Semin\u00e1rio 23.<\/p>\n<p>\u00c9 por essa via que voc\u00ea nos aponta a possibilidade de podermos acompanhar, na cl\u00ednica contempor\u00e2nea, a busca de solu\u00e7\u00f5es apoiadas mais fortemente no imagin\u00e1rio, o que nos leva \u00e0 parceria corpo-m\u00e1quina e corpo-imagem. E, aqui, incluo Marcelo, porque me ocorreu que o termo \u201cescuta\u201d, em rela\u00e7\u00e3o ao que o imagin\u00e1rio do corpo apresenta, j\u00e1 se coloca de uma maneira estranha. \u00c9 muito comum, de fato, encontrarmos essa prescri\u00e7\u00e3o: \u201cvoc\u00ea precisa escutar o seu corpo!\u201d e, da\u00ed, adv\u00e9m uma s\u00e9rie de discursos que invadem, vasculham, escaneiam os corpos para, finalmente, determinarem ideais de funcionamento do organismo.<\/p>\n<p>Marcelo nos coloca que \u201ca miragem do corpo-m\u00e1quina se espraia tanto nos trabalhos cient\u00edficos quanto nas hist\u00f3rias de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica ou nas inven\u00e7\u00f5es cada vez mais surpreendentes advindas da intelig\u00eancia artificial\u201d.<\/p>\n<p>Voc\u00eas acham que essa \u201cescuta\u201d do corpo estaria mais do lado do del\u00edrio? Ou seja, da ordem da interpreta\u00e7\u00e3o como no sonho que, desde o simb\u00f3lico, articula-se num discurso que tenta amarrar os fragmentos recolhidos de imagens? Como a imagem n\u00e3o se fixa sem o aux\u00edlio do simb\u00f3lico, por n\u00e3o ter o imagin\u00e1rio compromisso com o sentido, podemos dizer que se trata de um recurso desesperado para recobrir o que surge do real do gozo diante do imagin\u00e1rio sem o simb\u00f3lico?<\/p>\n<p>Mesmo que estejamos sob o Imp\u00e9rio das Imagens \u2013 t\u00edtulo do VII Encontro Americano de Psican\u00e1lise de Orienta\u00e7\u00e3o Lacaniana (ENAPOL), ocorrido em 2015, em S\u00e3o Paulo \u2013 em decorr\u00eancia da constata\u00e7\u00e3o da inexist\u00eancia do Outro, \u00e9 o simb\u00f3lico que \u00e9 convocado para articular em discursos as imagens exibidas, cultuadas, recha\u00e7adas e\/ou \u201ccanceladas\u201d. Nessa perspectiva, podemos dizer que se trata de um retorno, de um saudosismo, uma insist\u00eancia na ordem simb\u00f3lica no intuito de dar-lhe nova consist\u00eancia?<\/p>\n<p>Voc\u00eas nos trazem a quest\u00e3o do \u00f3dio. Marcelo, inclusive, o aborda pela via da <em>Austossung<\/em> como ponto de partida para o aumento das segrega\u00e7\u00f5es. Nessa abordagem, coloca-se a foraclus\u00e3o do lugar do sujeito, fazendo prevalecer a posi\u00e7\u00e3o da v\u00edtima. Vimos, nos \u00faltimos anos, a viol\u00eancia que essa opera\u00e7\u00e3o provoca no discurso dos mestres, para al\u00e9m do mestre da tradi\u00e7\u00e3o, com o deboche do \u201cmimimi\u201d.<\/p>\n<p>Quanto mais se cultua a posi\u00e7\u00e3o da v\u00edtima, mais tornamos o Outro malvado? Mesmo que esse Outro seja revestido de discursos inclusivos, de resgate, de repara\u00e7\u00e3o, de altru\u00edsmo etc., n\u00e3o soa, muitas vezes, como c\u00ednico e autorit\u00e1rio?<\/p>\n<p>Voc\u00eas vislumbram alguma sa\u00edda para essa estagna\u00e7\u00e3o fantasm\u00e1tica regida pelas puls\u00f5es escopof\u00edlica e sadomasoquista?<\/p>\n<p>Marcelo, voc\u00ea nos apresenta a tentativa do discurso da ci\u00eancia de se proclamar detentor da verdade sobre os corpos e voc\u00ea se contrap\u00f5e a essa arrog\u00e2ncia, apontando a incid\u00eancia dos demais discursos. Por\u00e9m, voc\u00ea implica a psican\u00e1lise nessa babel discursiva, convocando nossa comunidade a apresentar trabalhos que tragam \u00e0 luz a especificidade do discurso do analista na abordagem do corpo. Voc\u00ea poderia dar alguma dica para a nossa comunidade?<\/p>\n<p>Suas provoca\u00e7\u00f5es n\u00e3o param por a\u00ed. Com Miller, voc\u00ea nos traz a primeira forma de pseudoci\u00eancia que ancorou suas seguidoras \u201cna exclusividade do S2\u201d; que n\u00e3o d\u00e3o espa\u00e7o para o sujeito, o objeto <em>a<\/em> ou o S1.<\/p>\n<p>Voc\u00ea acrescenta a quest\u00e3o do tempo, da pressa, do \u201cimediatismo do gozo dos gadgets, dispensando os caminhos do desejo (&#8230;) deixando pouco espa\u00e7o para o sujeito\u201d. Ao revelar-se um registro como os demais, em sua consist\u00eancia e import\u00e2ncia, o imagin\u00e1rio parece ser celebrado, por\u00e9m, desde que seja nova e rapidamente submetido, \u201ctraduzido\u201d, \u201cescutado\u201d, pelo simb\u00f3lico. A pressa, aqui, estaria posta pela certeza antecipada da fal\u00eancia do Nome-do-Pai? Seria mais uma artimanha dos semblantes como defesa contra o real?<\/p>\n<p>Voc\u00ea localiza o instante de ver e o momento de concluir como tempos exclusivos do sujeito, e o tempo para compreender como o tempo do Outro, que ao ser \u201creduzido a 20 segundos, o sujeito vive a ang\u00fastia de ver e concluir na precipita\u00e7\u00e3o\u201d. Achei interessante voc\u00ea apontar o paradoxo da rede, que configura uma cl\u00ednica de S1\u2019s que n\u00e3o fazem apelo a nenhum S2. Por\u00e9m, essa afirma\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m me pareceu paradoxal, se retomamos a ideia da pressa em articular o que escapa do gozo, dado pela imagem do corpo, a qualquer discurso que se apresente, seja da religi\u00e3o, do pseudo-cientificismo, negacionista, identitarista, machista, feminista ou outro.<\/p>\n<p>Ou seja, parece haver uma pressa em tomar qualquer S2 que se apresente para fazer par com o S1que encontra-se \u00e0 deriva. Seria uma nuance que se apresenta e que vai de uma petrifica\u00e7\u00e3o de S1 colado \u00e0 imagem \u00e0 prolifera\u00e7\u00e3o de S2 sem ordena\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Luiz Fernando poderia entrar na conversa pela via do infamiliar que nos traz. Pareceu-me que ele abordou a perplexidade que o infamiliar nos provoca a partir da incapacidade instant\u00e2nea do simb\u00f3lico, dos discursos, em contornar o gozo que transborda da imagem e captura o olhar. \u00c9 isso? Voc\u00ea concordaria que a verdadeira pris\u00e3o do corpo \u00e9 o gozo?<\/p>\n<p>Marcelo nos apresenta uma cl\u00ednica que irrompe com os corpos que est\u00e3o cada vez mais etiquetados, mas sufocados pela falta de palavras. \u00c9 importante esse apontamento para conversar sobre os discursos que reivindicam etiquetas, mas n\u00e3o oferecem espa\u00e7os para que a palavra circule.<\/p>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Texto apresentado na primeira atividade preparat\u00f3ria do XXV EBCF, no Solar do Unh\u00e3o, em Salvador, no dia 18 de maio de 2024.<\/h6>\n[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]\n<\/section>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] R\u00f4mulo Ferreira da Silva (AME da EBP\/AMP) Coordenador Geral do XXV EBCF Bom dia! 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